Afastamentos causados por transtornos mentais triplicam na Bahia; veja números

Afastamentos causados por transtornos mentais triplicam na Bahia; veja números

Redação Alô Alô Bahia

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Publicado em 04/09/2026 às 11:43

O número de trabalhadores baianos que precisaram se afastar de suas funções por problemas de saúde mental deu um salto expressivo na última década. Em 2014, o estado registrou pouco mais de 5 mil concessões de benefícios previdenciários por esse motivo. Já em 2024, o número ultrapassou a marca de 15 mil, o que representa um aumento de cerca de 203%.

O cenário se agravou de forma drástica recentemente. O ano de 2024 bateu o recorde de toda a série histórica analisada pelo SmartLab, plataforma mantida pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) e pela Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Para se ter uma ideia do avanço rápido, em 2023 foram contabilizados cerca de 8,8 mil afastamentos. Em apenas um ano, o volume quase dobrou.

O levantamento mostra que o adoecimento afeta os profissionais de maneira desigual, concentrando-se em áreas de alta pressão.

Os funcionários de bancos comerciais lideram as estatísticas de forma isolada, respondendo por 21,8% dos casos ao longo da década. Em seguida, aparecem os servidores da administração pública (14,1%) e os profissionais que atuam no atendimento hospitalar (10,1%).

Quando o esgotamento é oficialmente reconhecido pela perícia como doença causada pelo trabalho (benefício acidentário), a ansiedade é apontada como a maior vilã, presente em 33,2% dos laudos. As reações de estresse grave ficam em segundo lugar (27,9%), seguidas pelos quadros de depressão (20,1%).

A alta na Bahia segue uma tendência de piora que atinge todo o Brasil. O país somou mais de 481 mil afastamentos por transtornos comportamentais em 2024.

Esse volume é mais que o dobro do que havia sido registrado em 2019, período imediatamente anterior à pandemia. E a realidade tende a ser ainda mais dura, já que esses dados englobam apenas quem tem acesso ao sistema da Previdência Social, deixando de fora os trabalhadores informais que sofrem com as mesmas doenças.

Para tentar forçar uma mudança de postura nos escritórios e nas empresas, a legislação brasileira trouxe uma novidade neste ano. Desde maio de 2026, a nova redação da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) obriga os empregadores a mapearem e controlarem os riscos psicológicos de suas equipes.

Agora, as companhias precisam tratar o excesso de demandas, as jornadas exaustivas e as denúncias de assédio como riscos ocupacionais reais que devem ser combatidos na raiz.

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