A possibilidade de transformar o famoso castelo do cantor sertanejo José Rico, da dupla Milionário e José Rico, em patrimônio público e criar no local um museu dedicado à música sertaneja está sendo avaliada pela Prefeitura de Limeira (SP). A proposta é vista com otimismo pela família do artista, informou o g1 em reportagem recente.
José Rico morreu em 2015, aos 68 anos, sem concluir a mansão que idealizou e acompanhou durante 24 anos de obras. O imóvel tem mais de 100 quartos e ocupa uma área de 48 mil m². Pelo decreto municipal publicado nesta terça-feira (26), foram declarados de utilidade pública 10.249 m², onde está localizado o castelo.
A declaração, porém, não significa que a desapropriação já esteja concluída. O decreto permite que a Prefeitura realize estudos e avaliações para verificar a viabilidade técnica, jurídica e econômica do projeto.
Segundo o advogado José Antônio Franzin, que representa os herdeiros, a proposta pode ser positiva para a família, que enfrenta dificuldades financeiras e problemas relacionados a dívidas trabalhistas.
“Ela quer transformar o castelo em um museu, num veículo de preservação da memória do Zé Rico, o que concordamos plenamente”, afirmou ao g1.
A mansão atualmente estaria em situação de abandono, segundo o advogado, devido à dificuldade dos familiares para manter o imóvel e também a episódios de invasão.
Prefeitura quer buscar recursos privados
O imóvel é avaliado em aproximadamente R$ 15 milhões. A Prefeitura informou que pretende estudar alternativas para dar ao espaço uma finalidade de interesse público e que não utilizará verba municipal diretamente para o empreendimento.
A ideia é buscar recursos estaduais, federais e da iniciativa privada para transformar o local em um polo de valorização da história da música, especialmente do gênero sertanejo.
A proposta também pode colocar fim a um longo problema judicial envolvendo o patrimônio de José Rico.
Castelo foi levado a leilão por dívidas trabalhistas
Em dezembro de 2025, a Justiça do Trabalho determinou a penhora do imóvel para pagamento de dívidas trabalhistas deixadas pelo cantor.
Uma parcela correspondente a 21% do imóvel, avaliada em cerca de R$ 3,2 milhões, foi colocada em leilão três vezes, sem interessados. Também houve uma tentativa de leilão de toda a área, em 2023, igualmente sem sucesso.
O processo trabalhista foi movido por um músico que trabalhou com a dupla entre 2009 e 2015. Ele alegou, entre outros pontos, ausência de registro em carteira, falta de pagamento de horas extras e adicionais, acúmulo de funções, férias, 13º salário e FGTS.
Um sonho que nunca foi concluído
O castelo começou a ser construído quando José Rico ainda estava vivo e se tornou uma das marcas mais curiosas de sua trajetória. O cantor imaginava o espaço como um recanto para a família e também planejava instalar um estúdio.
A obra durou 24 anos, mas nunca chegou ao fim. Vizinhos contaram que José Rico acompanhava pessoalmente a construção e era conhecido por ter novas ideias para o local, incluindo a possibilidade de criar uma gravadora e uma loja com produtos da dupla.
O sertanejo chegou a transformar o próprio castelo em música. A canção “Castelo”, lançada no álbum De Cara com a Saudade, de 1996, fala justamente da construção de uma grande mansão como demonstração de amor.