Após 11 anos, castelo deixado por sertanejo morto pode ser aberto ao público

Após 11 anos, castelo deixado por sertanejo morto pode ser aberto ao público

Redação Alô Alô Bahia

redacao@aloalobahia.com

Gabriel Moura

Reprodução

Publicado em 03/09/2026 às 17:27

A possibilidade de transformar o famoso castelo do cantor sertanejo José Rico, da dupla Milionário e José Rico, em patrimônio público e criar no local um museu dedicado à música sertaneja está sendo avaliada pela Prefeitura de Limeira (SP). A proposta é vista com otimismo pela família do artista, informou o g1 em reportagem recente.

José Rico morreu em 2015, aos 68 anos, sem concluir a mansão que idealizou e acompanhou durante 24 anos de obras. O imóvel tem mais de 100 quartos e ocupa uma área de 48 mil m². Pelo decreto municipal publicado nesta terça-feira (26), foram declarados de utilidade pública 10.249 m², onde está localizado o castelo.

A declaração, porém, não significa que a desapropriação já esteja concluída. O decreto permite que a Prefeitura realize estudos e avaliações para verificar a viabilidade técnica, jurídica e econômica do projeto.

Segundo o advogado José Antônio Franzin, que representa os herdeiros, a proposta pode ser positiva para a família, que enfrenta dificuldades financeiras e problemas relacionados a dívidas trabalhistas.

“Ela quer transformar o castelo em um museu, num veículo de preservação da memória do Zé Rico, o que concordamos plenamente”, afirmou ao g1.

A mansão atualmente estaria em situação de abandono, segundo o advogado, devido à dificuldade dos familiares para manter o imóvel e também a episódios de invasão.

Prefeitura quer buscar recursos privados

O imóvel é avaliado em aproximadamente R$ 15 milhões. A Prefeitura informou que pretende estudar alternativas para dar ao espaço uma finalidade de interesse público e que não utilizará verba municipal diretamente para o empreendimento.

A ideia é buscar recursos estaduais, federais e da iniciativa privada para transformar o local em um polo de valorização da história da música, especialmente do gênero sertanejo.

A proposta também pode colocar fim a um longo problema judicial envolvendo o patrimônio de José Rico.

Castelo foi levado a leilão por dívidas trabalhistas

Em dezembro de 2025, a Justiça do Trabalho determinou a penhora do imóvel para pagamento de dívidas trabalhistas deixadas pelo cantor.

Uma parcela correspondente a 21% do imóvel, avaliada em cerca de R$ 3,2 milhões, foi colocada em leilão três vezes, sem interessados. Também houve uma tentativa de leilão de toda a área, em 2023, igualmente sem sucesso.

O processo trabalhista foi movido por um músico que trabalhou com a dupla entre 2009 e 2015. Ele alegou, entre outros pontos, ausência de registro em carteira, falta de pagamento de horas extras e adicionais, acúmulo de funções, férias, 13º salário e FGTS.

Um sonho que nunca foi concluído

O castelo começou a ser construído quando José Rico ainda estava vivo e se tornou uma das marcas mais curiosas de sua trajetória. O cantor imaginava o espaço como um recanto para a família e também planejava instalar um estúdio.

A obra durou 24 anos, mas nunca chegou ao fim. Vizinhos contaram que José Rico acompanhava pessoalmente a construção e era conhecido por ter novas ideias para o local, incluindo a possibilidade de criar uma gravadora e uma loja com produtos da dupla.

O sertanejo chegou a transformar o próprio castelo em música. A canção “Castelo”, lançada no álbum De Cara com a Saudade, de 1996, fala justamente da construção de uma grande mansão como demonstração de amor.

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