Em cerca de um mês, 442 peixes-leão foram retirados do mar em Porto Seguro, no sul da Bahia, em meio a uma ação para controlar a presença da espécie exótica e venenosa na região. Como incentivo, a prefeitura está pagando R$ 10 por cada exemplar capturado por pescadores participantes da iniciativa.
A medida faz parte do Plano Municipal de Enfrentamento ao Peixe-Leão e tem caráter temporário. Os animais capturados fora do Parque Natural Municipal Marinho do Recife de Fora são entregues à Colônia de Pescadores, responsável pela contabilização e pelo pagamento.
Segundo a bióloga Aluane Silva Ferreira, da Prefeitura de Porto Seguro, o incentivo busca estimular a participação dos pescadores no controle da espécie.
“No início, a gente viu resistência dos pescadores na captura. Estamos oferecendo um apoio para que possam trazer os exemplares. É importante dizer que é momentâneo e não vai resolver o problema da invasão da espécie”, explica.
Espécie ameaça ecossistema marinho
Nativo da região do Indo-Pacífico, o peixe-leão é considerado uma espécie invasora na costa brasileira. Predador, alimenta-se de diferentes animais marinhos e pode competir com espécies nativas por alimento, provocando impactos na biodiversidade e também na pesca.
Em Porto Seguro, a primeira ocorrência oficial no Parque Natural Municipal Marinho do Recife de Fora foi registrada em junho deste ano. Na Bahia, a espécie já havia sido identificada em Morro de São Paulo, em fevereiro de 2025, e em Taipu de Dentro, no município de Maraú, em julho do mesmo ano.
No Brasil, os primeiros registros ocorreram em 2014, no litoral do Rio de Janeiro. Desde então, o peixe-leão também foi identificado em outros estados do Nordeste.
O plano de enfrentamento de Porto Seguro prevê ações de monitoramento, captura, pesquisa científica e capacitação de profissionais autorizados. Dentro do Parque de Recife de Fora, onde a pesca é proibida, a retirada fica restrita a equipes capacitadas e pesquisadores habilitados.
Os exemplares recolhidos são encaminhados à Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), onde são analisados. Entre os estudos previstos está a possibilidade de aproveitamento do peixe para consumo humano, desde que sejam adotados procedimentos seguros de captura e preparo.
Peixe-leão é venenoso?
O peixe-leão possui espinhos capazes de inocular veneno nas regiões dorsal, pélvica e anal. O contato pode provocar dor intensa e inchaço, além de sintomas como náusea, tontura, fraqueza muscular e, em alguns casos, dificuldade para respirar.
Apesar disso, a presença da espécie não significa que as praias devam ser evitadas. A orientação é não tocar, tentar capturar ou manipular um peixe-leão caso ele seja encontrado.
“Se as pessoas encontrarem, a gente orienta que não peguem, não coletem nem encostem, porque isso pode ocasionar lesões e reações diferentes em cada pessoa”, afirma Aluane.