Três anos depois de começar a transformar suas ideias em filmes, o cineasta baiano Eduardo Stachow, de 20 anos, estreou seu novo curta de animação, “The Gramophone”, no DJANHO! – Mostra Internacional e Interbairros de Cinema Fantástico de Curitiba, realizado nos últimos dias 28 e 29 de agosto, no Sesc Centro.
Selecionado para o festival, a produção teve sua estreia em Curitiba, marcando também a primeira exibição pública de um curta de Eduardo no Brasil. “Foi uma experiência muito boa do início ao fim. Gostei bastante do festival, da curadoria dos filmes selecionados e, principalmente, da organização. Ver meu filme estreando em um evento assim foi um momento marcante para mim como cineasta”, celebra o diretor e animador, à frente da Stachow Pictures.
Agora, o curta segue para o Canadá. Em setembro, “The Gramophone” concorre em quatro categorias do Toronto International Nollywood Film Festival (TINFF): Melhor Diretor, Melhor Produtor, Melhor Curta-Metragem e Melhor Filme Internacional de Animação.
É a segunda participação consecutiva de uma produção de Eduardo no festival. Em 2025, “We Are Carnaval” foi finalista nas categorias Direção de Arte, Filme de Animação e Melhor Curta-Metragem, enquanto “Chaos is King” chegou à final em Filme de Animação e Filme Experimental.

A agenda internacional continua entre os dias 17 e 19 de setembro, quando Eduardo participa do Animaze – Montreal International Animation Film Festival 2026, no Cinéma du Musée. A seleção oficial marca a estreia internacional de “The Gramophone”.
A animação acompanha um robô atraído por uma melodia misteriosa vinda de uma casa abandonada. Ao encontrar um antigo gramofone, ele experimenta emoções até então desconhecidas. A chegada de outro robô, porém, transforma a descoberta em perigo e desencadeia uma perseguição silenciosa.
Para Eduardo, o filme representa um avanço técnico e narrativo em relação aos trabalhos anteriores. “Foi o projeto em que senti o maior avanço proporcional da minha carreira até o momento. Qualidade técnica, originalidade e narrativa ficaram muito mais niveladas. Em outros trabalhos, eu percebia uma discrepância entre esses pontos e, em ‘The Gramophone’, senti que finalmente consegui alinhá-los”, conta.
Praticamente toda a produção dos filmes é realizada pelo próprio cineasta. Além de produtor, diretor e animador, Eduardo atua como diretor de arte, diretor de fotografia, diretor de som e editor, além de trabalhar na composição de ambientes, modelagem e rigging 3D. As trilhas sonoras e algumas contribuições pontuais de freelancers são as principais exceções.
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Trajetória começou na adolescência
O interesse pelo audiovisual surgiu ainda na infância, quando Eduardo encontrou no cinema uma forma de se transportar para outras realidades. Aos 14 anos, decidiu criar as próprias histórias e passou a estudar ferramentas de produção audiovisual. O processo iniciado em 2023 culminou, dois anos depois, na criação oficial da Stachow Pictures. Atualmente, o jovem cineasta cursa Cinema na FAAP, em São Paulo.
Desde o início da trajetória, seus trabalhos já acumulam reconhecimentos em festivais nacionais e internacionais. Em 2023, “Chaos is King” recebeu os prêmios de Melhor Diretor e Melhor Filme Experimental no 2 11 17 International Film Festival, além de ter sido reconhecido como Melhor Filme Experimental e Melhor Filme de Animação no Rome Prisma Awards.

No ano seguinte, a produção conquistou prêmios no European Cinematography Awards, no Los Angeles Cinematography Awards e no Canadian Cinematography Awards, além de seleções no Lift-Off Filmmaker Sessions Volume 9 e no Hollywood Best Indie Film Awards. Em 2024, “We Are Carnaval” também venceu como Melhor Curta-Metragem de Animação no Rome Prisma Awards. Em 2025, Eduardo participou ainda do Festival do Minuto, no Brasil.
Enquanto “The Gramophone” circula pelos festivais, a Stachow Pictures já trabalha em novos projetos. Entre eles estão “Nara”, animação 3D com aproximadamente 15 minutos, e “Antologia Brasil”, série de curtas em live-action dedicada à diversidade regional do país. O cineasta também planeja ampliar a capacidade de produção do estúdio e realizar seu primeiro longa-metragem.