Painel de Carybé criado em 1957 é exibido pela primeira vez em São Paulo

Painel de Carybé criado em 1957 é exibido pela primeira vez em São Paulo

Redação Alô Alô Bahia

redacao@aloalobahia.com

José Mion/Alô Alô Bahia

Taba Benedicto/Estadão

Publicado em 27/08/2026 às 09:53

A relação de Carybé com a Bahia, que ajudou a transformar o artista argentino em um dos principais intérpretes visuais da cultura baiana e nordestina, ganha novos contornos em uma obra histórica que será apresentada ao público pela primeira vez.A Galeria SUR leva à SP-Arte ROTAS 2026 um painel monumental de azulejos criado pelo artista em 1957, com 2,30 metros de altura e 7,80 metros de largura.

Exibida no estande D11 da mostra, que segue até domingo (30), a obra é composta por finíssimos azulejos monocromáticos em azul e branco e retrata, a partir do olhar característico de Carybé, cenas da vida rural, do sertão e da iconografia nordestina. Vaqueiros e sertanejos, vestidos com trajes tradicionais e montados em cavalos de grande porte, conduzem bois de chifres compridos com a ajuda de cães. Mulheres também aparecem em atividades cotidianas, como pilar grãos e carregar lenha.

A riqueza da cena se estende aos pequenos detalhes. Espalhados pelo mural, surgem aves em voo, galinhas, ovelhas e outros animais, além de caracóis, lagartixas, rãs, insetos e coelhos entre o pasto, compondo uma representação ampla e sensível da fauna e do cotidiano sertanejo.

O uso do azul-cobalto sobre o branco dialoga diretamente com a tradição dos azulejos coloniais luso-brasileiros, reinterpretada por Carybé a partir de uma linguagem moderna. O artista combina seu traço fluido, estilizado e sintético a referências que remetem, inclusive, aos murais assírios.

Nascido em Buenos Aires, em 1911, Héctor Julio Páride Bernabó, Carybé construiu na Bahia uma relação que ultrapassou a simples inspiração artística. Apaixonado pela cultura nordestina, radicou-se definitivamente no estado em 1949 e, até sua morte, em 1997, tornou-se um dos artistas mais profundamente associados à identidade baiana. Sua obra registrou, com olhar particular, personagens, costumes, religiões, festas e paisagens que ajudaram a projetar a Bahia no imaginário artístico brasileiro e internacional.

O painel agora apresentado em São Paulo tem também uma trajetória curiosa. A obra foi encomendada pelo arquiteto racionalista argentino Luis Caffarini, amigo de Carybé, para uma casa construída para a família Giraldo, em Buenos Aires. Caffarini trabalhou ao lado de Oscar Niemeyer em Brasília, na década de 1950, e desenvolveu projetos influenciados pelas ideias de Mies van der Rohe e Walter Gropius.

Durante 69 anos, o mural permaneceu instalado em uma parede da residência argentina. Agora, quase sete décadas depois de sua criação, a obra deixa o espaço privado e será exibida ao público pela primeira vez. A SP-Arte ROTAS acontece até 30 de agosto, na Arca, na Vila Leopoldina, em São Paulo.

Compartilhe

Alô Alô Bahia Newsletter

Inscreva-se grátis para receber as novidades e informações do Alô Alô Bahia