Café Cancun, Manatee, Estação da Cerveja… Relembre a noite de Salvador nos anos 2000

Café Cancun, Manatee, Estação da Cerveja… Relembre a noite de Salvador nos anos 2000

Redação Alô Alô Bahia

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com informações do CORREIO

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Publicado em 23/08/2026 às 12:28

Para uma geração que viveu a juventude em Salvador nos anos 2000, escolher onde passar a noite podia ser uma tarefa difícil. A capital baiana reunia uma quantidade impressionante de boates, bares e casas de shows, com opções que iam do rock ao pagode, passando por forró, reggae, música eletrônica, brega e arrocha.

Hoje na faixa dos 40 anos, muitos dos jovens daquela época guardam histórias de uma Salvador em que o fim de semana começava sem aplicativos de transporte, e voltar para casa significava conseguir uma carona, pegar um táxi ou esperar pelo “pernoitão” dos ônibus.

“Rapaz, fui para um show de Velhas Virgens no Rock in Rio, subi no palco e tomei a cerveja do cantor. Aquela zorra estava batizada, porque eu enlouqueci”, relembra José Eduardo, hoje militar.

Para o produtor cultural Valdir Andrade, a efervescência daquele período não estava restrita às casas noturnas. Salvador vivia também uma intensa produção musical, com artistas, bandas e movimentos de diferentes estilos ocupando a cidade.

“A agenda cultural da cidade estava recheada com shows de nomes como Alex Goes, Márcio Mello e Simone Sampaio, bandas como Mil Milhas, Funk Machine, a turma do reggae com Diamba, Adão Negro, Mosiah. A música eletrônica também começando a se movimentar com as festas do coletivo Pragatecno”, relembra.

O período também foi marcado pelo forró de bandas como Colher de Pau e Flor Serena, enquanto o rock tinha nomes como Dead Billies, Úteros em Fúria e Cascadura.

Relembre lugares que marcaram a noite de Salvador nos anos 2000

Lagoa Mar
Foi um dos grandes redutos do pagodão na orla de Salvador. A casa reunia um público diverso e recebia algumas das bandas que movimentavam a música baiana naquele período. Até integrantes da turma do rock acabavam por lá depois dos próprios shows.

Estação da Cerveja
Em Patamares, ficou conhecida, entre outras coisas, pela enorme estátua de um alemão segurando um copo de chope. A casa recebia shows de pagode e axé e chegou a ter grandes filas de espera para entrar.

Banana’s Beer
Também em Patamares, em frente à Estação da Cerveja, era endereço certo para quem gostava de forró. Aos sábados, recebia o famoso Forró das Dez, que avançava pela madrugada. Bandas como Caviar com Rapadura ganharam projeção na cidade com apresentações no espaço, posteriormente ocupado pelo Coliseu do Forró.

Manatee
Um enorme peixe-boi na entrada era uma das marcas da casa, localizada em frente ao mar de Patamares. O complexo reunia casa de shows, boate e bar e tinha programação que passava pelo axé e pelo forró.

Língua de Prata e Jangada
Os dois espaços ajudaram a movimentar a cena do brega e do arrocha nas noites de Salvador. O Língua de Prata ficou fortemente associado à boemia da região onde funcionava, enquanto o Jangada resistiu por mais tempo, até encerrar as atividades na década de 2010.

Rock in Rio Café
Instalado no Aeroclube Plaza Show, foi inaugurado em 1998 e se transformou em uma das principais casas de shows da cidade. Recebeu grandes artistas e bandas, chegou a comportar cerca de 3 mil pessoas e foi eleito duas vezes consecutivas o melhor lugar para dançar de Salvador pelo guia Veja Bahia. Foi demolido em 2007.

Café Cancun
Outro símbolo do Aeroclube, tinha decoração inspirada no México e ficou conhecido pelas performances dos garçons e pelas festas. Era frequentado principalmente por jovens de maior poder aquisitivo e se tornou um dos endereços emblemáticos daquela geração.

Fashion Club
No Jardim dos Namorados, foi uma das boates mais conhecidas da cidade. Música eletrônica, DJs e uma proposta mais sofisticada estavam entre as marcas do espaço, que também recebeu atrações ligadas ao pagode e à música baiana.

Idearium
Integrava a efervescente cena alternativa do Rio Vermelho. O espaço recebia eventos ligados à produção independente e foi palco de apresentações de bandas como Inkoma, grupo que revelou Pitty.

Café Calypso
Também no Rio Vermelho, tornou-se um dos redutos da cena underground e do rock soteropolitano entre os anos 1990 e o início dos anos 2000. Bandas autorais e público alternativo encontravam ali um dos principais pontos de encontro da cidade.

Off Club
Foi um endereço importante da cena LGBTQIA+ de Salvador, com festas e música eletrônica em uma época marcada pela diversificação das opções da noite soteropolitana.

Coliseu do Forró
Funcionou no antigo espaço do Banana’s e se consolidou como uma das referências do forró eletrônico na capital baiana.

Mamagaya
Fez parte do circuito das grandes casas da orla e ficou conhecida principalmente pelas festas de pagode. Bandas que alcançaram projeção naquele período realizaram ensaios no espaço.

Bambara
Com uma proposta diferente das casas voltadas ao público mais jovem, reunia principalmente frequentadores mais maduros ao som de boleros, serestas e samba.

Word Bar
Na Barra, em frente à Off Club, misturava bar e música ao vivo e recebia bandas alternativas e independentes de Salvador. O espaço pequeno e movimentado fazia parte do circuito noturno do bairro.

Madrre
Foi um dos endereços mais conhecidos da noite soteropolitana no final dos anos 2000 e início da década seguinte, atraindo principalmente um público jovem e recebendo artistas e festas de diferentes estilos.

Zauber Multicultura
Na Ladeira da Misericórdia, tinha perfil alternativo e reunia música, artes visuais e diferentes públicos. Rock, hip-hop, reggae, dub e música eletrônica faziam parte da programação.

Praça de alimentação do Aeroclube
Nem sempre era preciso entrar nas grandes casas para aproveitar a noite. A praça de alimentação do Aeroclube também recebia apresentações, incluindo noites de forró, e virou ponto de encontro de quem circulava pelo complexo.

Praça do Reggae
No Pelourinho, tornou-se ponto de encontro da cena reggae de Salvador. O espaço recebeu importantes bandas baianas e também atrações internacionais vindas da Jamaica.

Uma Salvador de muitas “tribos”

A diversidade talvez seja uma das principais marcas da vida noturna daquele período. Em uma única noite, Salvador oferecia programas para públicos ligados ao rock, reggae, pagode, axé, forró, arrocha e música eletrônica, espalhados por regiões como Patamares, Rio Vermelho, Barra, Centro Histórico e pelo então movimentado Aeroclube.

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