A descoberta de restos mortais de denisovanos no fundo do Canal de Penghu, entre Taiwan e a China continental, voltou a despertar discussões sobre a possível origem de relatos antigos envolvendo gigantes. O estudo identificou os fósseis como pertencentes a esse grupo de humanos extintos, mas interpretações que relacionam o achado aos nefilins e ao Grande Dilúvio fazem parte de especulações e não das conclusões científicas da pesquisa.
Os pesquisadores analisaram um fêmur e uma tíbia atribuídos aos denisovanos, linhagem humana que se separou dos neandertais há cerca de 550 mil anos e ocupou diferentes regiões do leste da Ásia. Pelas estimativas da equipe, o indivíduo representado pelo fêmur teria aproximadamente 1,80 metro de altura e pesaria cerca de 83 quilos. Já o dono da tíbia poderia ter alcançado 1,90 metro e 91 quilos, medidas superiores à média de altura masculina atual.
As dimensões dos fósseis levaram o pesquisador independente Jimmy Corsetti a sugerir, em uma publicação nas redes sociais, que os denisovanos poderiam ter inspirado as narrativas sobre os nefilins, personagens mencionados no Antigo Testamento e frequentemente traduzidos como “gigantes” em versões influenciadas pela Septuaginta, antiga tradução grega das Escrituras. Corsetti também associou o fato de os ossos terem sido encontrados no fundo do mar ao relato bíblico do Grande Dilúvio.
Apesar da repercussão, o estudo científico não estabelece qualquer relação entre os fósseis e os textos religiosos. Segundo os pesquisadores, os achados indicam que os denisovanos de Taiwan levavam um estilo de vida com grande mobilidade, semelhante ao dos primeiros grupos de Homo sapiens. A equipe também considera possível que características físicas desses indivíduos tenham sido influenciadas por cruzamentos entre as duas espécies, hipótese sustentada por evidências genéticas já identificadas no sul da Ásia.
Os autores ressaltam que ainda são necessários novos fósseis e análises genéticas para compreender melhor a biologia dos denisovanos e verificar se indivíduos de grande porte eram comuns nessa população. Até o momento, as ligações entre a descoberta e personagens bíblicos permanecem no campo das interpretações e não fazem parte das conclusões apresentadas pelos pesquisadores.