Nesta quinta-feira (13), completam-se 40 anos da morte de Mãe Menininha do Gantois, uma das mais importantes ialorixás da história do Brasil. Maria Escolástica da Conceição Nazaré morreu em 13 de agosto de 1986, aos 92 anos, deixando um legado que ultrapassou os limites do candomblé e marcou a história religiosa, política e cultural da Bahia.
Nascida em 1894, Mãe Menininha assumiu o comando do Terreiro do Gantois, em Salvador, aos 28 anos, em 1922. Terceira ialorixá da história da casa, permaneceu à frente do terreiro durante 64 anos. Ela era bisneta de Maria Júlia da Conceição Nazareth, fundadora do Gantois, criado em 1849.
Sua trajetória foi marcada pela defesa do candomblé em um período de forte perseguição às religiões de matriz africana. Mãe Menininha atravessou décadas em que terreiros eram alvo de ações policiais e desempenhou papel importante no processo de maior reconhecimento e aceitação pública do candomblé no país.
A influência da ialorixá também alcançou a política, a música, a literatura e o esporte. Ao longo dos anos, o Gantois recebeu nomes como Gilberto Gil, Pelé, Jorge Amado, Dorival Caymmi, Caetano Veloso, Gal Costa e Maria Bethânia, além de diferentes autoridades políticas. Muitos recorriam a Mãe Menininha em busca de conselhos e proteção.
Sua presença na cultura brasileira também inspirou homenagens. Em 1972, Dorival Caymmi lançou “Oração de Mãe Menininha”, posteriormente gravada por artistas como Maria Bethânia e Gal Costa. Jorge Amado também registrou a importância da ialorixá em sua obra Bahia de Todos-os-Santos.
Mãe Menininha teve duas filhas, Cleusa e Carmem. Após sua morte, Mãe Cleusa assumiu o comando do Gantois, dando continuidade à tradição familiar da casa.