Anitta abre o jogo após se assumir candomblecista e cita medo: ‘Era muito prejudicial’

Anitta abre o jogo após se assumir candomblecista e cita medo: ‘Era muito prejudicial’

Redação Alô Alô Bahia

redacao@aloalobahia.com

Gabriel Moura

Reprodução

Publicado em 11/08/2026 às 17:24

Anitta falou abertamente sobre a relação com a espiritualidade durante participação no programa Sem Censura, da TV Brasil, nesta terça-feira (11). A cantora contou que, por muitos anos, evitou assumir publicamente que é praticante do candomblé por receio de sofrer preconceito e perder contratos profissionais. Segundo ela, a decisão de tornar a fé pública aconteceu apenas depois de enfrentar um período de forte pressão e críticas.

A artista relembrou que o momento coincidiu com um período de grande tensão política no país, quando passou a ser cobrada por não se posicionar publicamente. Naquele período, porém, ela estava em processo de iniciação no candomblé. “Houve um momento político no Brasil onde me foi cobrado muito, e eu fui muito apedrejada e atacada por estar em silêncio. […] Só que eu, nessa época, estava fazendo santo. E quando a gente faz isso, a gente fica ali, guardadinha, por um mês. Você não tem informação de pessoas, ninguém fala para você o que está acontecendo, você não fica com o telefone na mão. Você fica em retiro por um mês. Então, não faz ideia do que está acontecendo”, explicou.

Mesmo após concluir o período de recolhimento, Anitta afirmou que ainda não se sentia preparada para revelar sua religião. “Porque tem isso, né? Você tem que sair do armário. Eu não tinha saído do armário ainda porque, na época, era muito prejudicial para as publicidades, para campanhas, para você fazer dinheiro, para você vender… Aí, imagina, eu comecei sem dinheiro, não tinha casa, não tinha nada. Imagina o medo”, disse. A cantora contou que vivia o conflito entre preservar a vida profissional e explicar ao público o motivo de seu silêncio. “‘Se souberem, se descobrirem que eu sou macumbeira, acabou. Só que, ao mesmo tempo, estava todo mundo me trucidando porque eu fiquei em silêncio muito tempo. Como é que eu explico que eu fiquei em silêncio?'”

Antes de se manifestar, Anitta buscou entender melhor o cenário político. Segundo ela, procurou a advogada e comentarista Gabriela Prioli para estudar o contexto antes de emitir qualquer opinião. “Eu gosto de saber o que eu estou falando. Eu jamais ia entrar numa coisa porque todo mundo mandou. Eu quero ser a dona da minha palavra”, afirmou.

A cantora contou que, mesmo após formar sua opinião, continuou sendo pressionada até decidir revelar o motivo de seu afastamento. “Teve uma hora que eu não aguentei. Falei: ‘gente, eu sou macumbeira. Eu estava presa e não podia falar. E eu não sabia o que vocês estavam fazendo aqui fora’. E aí, foi uma outra questão que eu fui enfrentar”, lembrou. Ela também destacou que, naquele momento, não tinha referências de artistas do pop de sua geração que falassem abertamente sobre religiões de matriz africana. “Não tinha ninguém da minha geração do pop falando isso, na minha bolha, o que eu acompanhava. E aí, fui, comecei a falar e me senti livre, me senti liberta.”

Anitta cresceu frequentando tanto a Igreja Católica quanto terreiros de candomblé e umbanda, influenciada pelo pai, Mauro Machado. A artista tornou pública sua religião em 2020 e, desde então, passou a incorporar referências dessas tradições em diferentes momentos de sua carreira, incluindo o projeto mais recente, Equilibrivm Parte II.

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