Quando a BYD anunciou que o Song Pro finalmente chegaria ao mercado brasileiro com motorização flex, era natural imaginar que toda a conversa giraria em torno dessa novidade. Afinal, trata-se do primeiro SUV híbrido plug-in da marca a desembarcar nas concessionárias preparado para rodar com gasolina ou etanol em qualquer proporção, resultado de um desenvolvimento que envolveu engenheiros do Brasil, da China e da Alemanha.
Mas basta alguns minutos ao volante para perceber que a história mais interessante desse carro está em outro lugar.
A convite da BYD, o Alô Alô participou, nesta terça-feira (4), do lançamento nacional do novo Song Pro Flex, em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, e teve a oportunidade de dirigir o SUV em diferentes condições, incluindo trechos de asfalto e estradas de terra. E foi justamente longe das fichas técnicas que apareceram as maiores surpresas.
O Song continua sendo um carro eficiente, tecnológico e agora preparado para uma realidade tipicamente brasileira. Só que o verdadeiro salto está na maneira como ele ficou mais refinado, mais confortável e, principalmente, muito mais prazeroso de dirigir.
Logo ao abrir a porta, fica evidente que a cabine recebeu uma atenção especial.
O interior abandonou parte da identidade mais ousada da geração anterior para ganhar um desenho mais elegante e sofisticado. O acabamento em black piano espalhado pelo painel e pelo console central dá aquele toque especial que transforma o ambiente. É um detalhe simples, mas que acrescenta personalidade, deixa tudo mais requintado e cria uma sensação de carro de categoria superior.

O novo painel integrado, o volante redesenhado e o console mais limpo ajudam a transmitir essa percepção. Tudo parece estar exatamente onde deveria estar.
E os bancos merecem um capítulo à parte.
Eles abraçam o corpo com firmeza na medida certa. Não cansam, sustentam bem nas curvas e fazem diferença quando o percurso começa a ficar mais longo. É daqueles carros em que você termina a viagem com vontade de continuar dirigindo.
Mas foi quando o percurso começou de verdade que apareceu a principal evolução do novo Song.
A BYD recalibrou completamente a suspensão pensando exclusivamente no mercado brasileiro. E isso não é discurso de apresentação. É algo que aparece nos primeiros metros.
Na terra, onde normalmente um SUV médio costuma transmitir impactos para dentro da cabine, o Song surpreende pela forma como filtra as irregularidades. Mesmo em velocidades mais altas, a carroceria permanece estável, sem quicar ou transmitir desconforto aos ocupantes. O carro passa por valetas, pedras e costelas sem perder a compostura.
É um comportamento que transmite muita segurança.

Depois, no asfalto, a sensação muda, mas continua positiva.
O conjunto ficou firme na medida certa. O carro aponta facilmente para as curvas, responde rápido aos comandos do volante e torna ultrapassagens extremamente tranquilas graças à entrega instantânea do motor elétrico. Não há esforço, nem demora nas retomadas. Basta acelerar e o Song responde com naturalidade.
É, simplesmente, um carro muito gostoso de dirigir.
Curiosamente, a redução de potência em relação ao modelo anterior praticamente desaparece na prática. Os números mudaram, mas a sensação ao volante continua convincente.
Outro ponto que chamou atenção durante o teste foi o comportamento do sistema híbrido quando a bateria já não está cheia. Em muitos modelos eletrificados, é justamente nessa situação que aparecem perdas perceptíveis de desempenho e aumento de consumo.
No Song, isso praticamente não acontece.
Mesmo com pouca carga disponível, o conjunto continua entregando respostas consistentes, mantendo boas acelerações e um funcionamento bastante eficiente. O gerenciamento do sistema híbrido trabalha de forma discreta, quase imperceptível para quem está dirigindo.
E, claro, existe a novidade que dá nome ao lançamento.
O motor 1.5 do sistema híbrido DM-i 5.0 agora aceita gasolina ou etanol em qualquer proporção, permitindo ao consumidor abastecer com o combustível que fizer mais sentido em cada momento. A tecnologia também elevou a eficiência térmica do propulsor e ajudou o Song Pro a conquistar os menores índices de consumo energético entre os SUVs médios vendidos no Brasil, segundo dados do Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV).
Mas talvez o aspecto mais interessante por trás desse lançamento seja justamente a forma como ele foi pensado.
As mudanças apresentadas não nasceram por acaso nem foram simplesmente importadas da China. Grande parte das atualizações foi desenvolvida especificamente para atender às preferências e às condições de uso do consumidor brasileiro. Muitas dessas soluções passaram pelo complexo industrial da BYD em Camaçari, na Bahia, que teve participação importante na adaptação do modelo para o país.
O resultado aparece justamente onde faz mais diferença: na experiência ao volante.
Sim, o novo Song finalmente é flex. Essa é uma notícia importante e certamente será um argumento de venda relevante para muita gente.
Mas, depois de dirigir o carro, fica difícil dizer que essa é sua principal novidade.
O que realmente impressiona é como a BYD conseguiu transformar um SUV que já era competitivo em um carro mais refinado, mais confortável, mais estável e muito mais agradável de conduzir.
No fim das contas, o etanol pode até ter roubado as manchetes. Mas quem assume o protagonismo é a evolução do próprio carro.

Preços
O novo BYD Song Pro Super Híbrido Flex chega ao mercado brasileiro em duas versões:
Song Pro GL: R$ 176.990
Song Pro GS: R$ 199.990
Os dois modelos mantêm garantia de seis anos para o veículo e oito anos para a bateria Blade.
Detalhes técnicos
O Song Pro estreia o sistema híbrido plug-in DM-i 5.0, que combina um motor 1.5 aspirado flex, capaz de funcionar com gasolina ou etanol em qualquer proporção, a um motor elétrico.
A versão GL entrega 218 cv, bateria Blade de 13,1 kWh e autonomia de até 57 km no modo elétrico, segundo o Inmetro. Já a GS oferece 219 cv, bateria de 18,3 kWh e alcance elétrico de até 72 km.
Entre as novidades do modelo estão a nova dianteira inspirada na linguagem Dragon Face da BYD, painel redesenhado, quadro de instrumentos digital de 8,8 polegadas, central multimídia de 12,8 polegadas com Google Automotive Services, Apple CarPlay e Android Auto sem fio, além de atualizações remotas (OTA).
O SUV também ganhou uma suspensão recalibrada para as condições brasileiras, seis airbags e um pacote mais completo de assistentes de condução (ADAS), com recursos como controle de cruzeiro adaptativo, frenagem autônoma de emergência, assistente de permanência em faixa e reconhecimento de placas de trânsito. Na versão GS, o pacote inclui ainda monitoramento de ponto cego, alerta de tráfego cruzado traseiro e teto solar panorâmico.