Relacionamento com IA é traição? Estudo mostra como brasileiros enxergam a inteligência artificial na intimidade

Relacionamento com IA é traição? Estudo mostra como brasileiros enxergam a inteligência artificial na intimidade

Redação Alô Alô Bahia

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José Mion/Alô Alô Bahia

Reprodução

Publicado em 05/08/2026 às 09:35 / Leia em 3 minutos

A Inteligência Artificial está cada vez mais presente na vida íntima das pessoas e começa a redefinir os limites dos relacionamentos. É o que aponta o Estudo Gleeden 2026 – Inteligência Artificial, Erotismo e Novas Fronteiras dos Relacionamentos no Brasil, que revela que a maioria dos brasileiros não considera o uso da IA para experiências eróticas uma forma de traição, enquanto quase metade já se sente confortável para desabafar emocionalmente com sistemas de inteligência artificial.

O levantamento foi realizado durante a 12ª edição da Intimi Expo, maior feira internacional de negócios do mercado íntimo e sensual, e ouviu 1.271 participantes, dos quais 78% eram mulheres, com predominância da faixa etária entre 26 e 35 anos.

Segundo a pesquisa, 51,2% dos entrevistados afirmam que utilizar Inteligência Artificial para fins eróticos não configura infidelidade. Outros 29% classificam a situação como uma “zona cinzenta”, enquanto 19,8% entendem que esse comportamento pode ser considerado traição, indicando que a tecnologia vem criando novos debates éticos sobre a vida afetiva.

A IA também tem conquistado espaço como apoio emocional. Quase metade dos participantes (48,5%) disse já se sentir confortável para conversar sobre sentimentos com sistemas de inteligência artificial, sendo 18,6% de forma frequente e 29,9% ocasionalmente. Para especialistas, fatores como anonimato, sensação de segurança e ausência de julgamentos ajudam a explicar esse comportamento.

Apesar disso, os vínculos humanos ainda são vistos como insubstituíveis. Para 44,6% dos entrevistados, a IA jamais conseguirá substituir os sentimentos humanos, enquanto 27,8% acreditam que isso pode ocorrer apenas parcialmente.

No campo da sexualidade, o uso da tecnologia ainda é novidade para a maioria: 68,8% nunca recorreram à IA para experiências eróticas. Ainda assim, o interesse é significativo, com 53,8% afirmando que poderiam utilizar esse tipo de recurso no futuro.

A principal motivação apontada não é o conteúdo erótico em si, mas a privacidade. Para 32,4% dos entrevistados, esse é o maior atrativo da tecnologia, seguido pela ausência de julgamentos (19,7%), pela possibilidade de personalização (18,7%), pela variedade de experiências (16,9%) e pela disponibilidade permanente (12,3%).

A pesquisa também investigou como os participantes lidariam com esse tipo de experiência dentro de um relacionamento. Quase metade (49,7%) afirmou que contaria ao parceiro caso utilizasse IA para interações íntimas, enquanto 33,9% disseram que isso dependeria da situação. Já 16,4% prefeririam manter a informação em segredo.

Para a Gleeden, plataforma voltada a pessoas interessadas em relações não convencionais, os resultados indicam que a Inteligência Artificial não substitui os relacionamentos humanos, mas já ocupa um espaço relevante na forma como as pessoas vivenciam emoções, intimidade e sexualidade.

* Foto: Cena do filme “Her” (2013), dirigido por Spike Jonze, em que o protagonista desenvolve um relacionamento afetivo com um sistema de Inteligência Artificial, explorando os limites entre tecnologia, amor e conexões humanas.

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