Beth Goulart emocionou ao falar sobre a perda dos pais, os atores Nicette Bruno e Paulo Goulart. Em entrevista à revista CARAS, a atriz de 65 anos refletiu sobre o processo de luto, a espiritualidade e o legado deixado pelo casal, considerado um dos mais admirados da dramaturgia brasileira.
Ao relembrar a despedida dos pais, Beth destacou que o primeiro ano após uma perda costuma ser o mais difícil e defendeu a importância de respeitar esse período.
“O primeiro ano é muito difícil. É um ano importante, inclusive, de você respeitar o luto.”
A atriz contou que a morte de Nicette Bruno, em 2020, vítima de complicações da Covid-19, despertou um profundo sentimento de orfandade e a levou a um intenso processo de autoconhecimento.
Segundo Beth, ela precisou aprender a oferecer a si mesma o acolhimento que antes encontrava na mãe.
“Eu tive que aprender a ser minha própria mãe, a me colocar no colo quando estou triste, a me escutar, a saber que, nesse momento, eu preciso de afeto, de acolhimento.”
Durante a conversa, a atriz também refletiu sobre a dificuldade que muitas pessoas enfrentam para demonstrar fragilidade e buscar apoio em momentos de sofrimento.
Para ela, reconhecer que ninguém supera a dor sozinho é parte fundamental do processo de cura.
“A gente precisa fazer isso… é tão difícil pedir ajuda… porque todo mundo precisa do outro. Nós não somos seres isolados, nós somos seres coletivos. Ninguém é uma ilha.”
Beth lembrou que, após perder a mãe durante a pandemia, decidiu compartilhar sua experiência nas redes sociais como forma de acolher pessoas que enfrentavam situações semelhantes.
“Talvez pelo fato de eu elaborar a minha dor, de não escondê-la, ao contrário, de revelá-la e falar sobre isso, tenha ajudado as pessoas a lidar com a sua própria dor, com a sua própria perda.”
Legado
Ao recordar a trajetória dos pais, Beth Goulart afirmou que herdou deles muito mais do que o amor pela atuação. Segundo a atriz, os ensinamentos sobre solidariedade, generosidade e espiritualidade continuam guiando sua vida.
Ela destacou a alegria como uma das principais marcas de Nicette Bruno.
“A minha alegria, a mãe era uma mulher muito alegre.”
Beth também revelou que foi criada em um ambiente onde a prática da caridade fazia parte da rotina e ressaltou que a fé vai além de qualquer religião.
“Fé não necessariamente é uma religião. Fé é um sentimento de conexão. Conexão com aquilo em que você acredita.”
Sobre Paulo Goulart, a atriz lembrou a generosidade e a dedicação à arte que marcaram sua trajetória.
“Meu pai também era tão generoso quanto minha mãe, tão caridoso quanto ela.”
Hoje, Beth Goulart acredita que o legado deixado por Nicette Bruno e Paulo Goulart permanece vivo por meio das atitudes da família. Ao lado do filho e da neta, ela procura manter vivos os valores transmitidos pelos pais, como o amor ao próximo, a empatia e a espiritualidade, princípios que marcaram a história do casal dentro e fora dos palcos.