Um dos mais antigos e importantes templos de candomblé da tradição Jeje-Mahi no Brasil, o Terreiro Zoogodô Bogum Malê Hundó, em Salvador, foi oficialmente tombado como Patrimônio Cultural da Bahia. O reconhecimento foi publicado no Diário Oficial do Estado na última sexta-feira (31).
Localizado no Engenho Velho da Federação, o Terreiro do Bogum foi fundado no século XVIII, por volta de 1719, e é considerado uma das principais referências da tradição Jeje no país. Ao longo de mais de três séculos, preservou rituais, celebrações, conhecimentos ancestrais e a língua litúrgica éwé-fon, mantendo viva a herança dos povos Fõ e Mahi, originários da região do atual Benim, na África Ocidental.
O tombamento reconhece a importância histórica, religiosa, cultural e social do espaço, que também se consolidou como símbolo da resistência das religiões de matriz africana e da preservação da memória da população negra na Bahia.

Terreiro do Bogum é tombado como Patrimônio Cultural da Bahia
Relação com a Revolta dos Malês
Pesquisas históricas apontam que o Terreiro do Bogum teve ligação com a Revolta dos Malês, em 1835. Segundo os estudos, o espaço teria servido como ponto de encontro de lideranças do movimento, além de guardar recursos destinados à insurreição e acolher participantes após a repressão ao levante.
A história do terreiro também está diretamente ligada à formação do bairro do Engenho Velho da Federação, hoje reconhecido como um importante território de ancestralidade afro-brasileira e um quilombo urbano pela concentração de terreiros de candomblé.
Patrimônio da tradição Jeje-Mahi
Diferentemente da tradição Ketu, voltada ao culto dos orixás, a nação Jeje-Mahi tem como centro de sua cosmologia os voduns, divindades originárias do antigo Reino do Daomé.
Além dos rituais e celebrações religiosas, o conjunto preservado reúne edificações, árvores sagradas, espaços naturais e práticas culturais que fazem do Terreiro do Bogum um dos principais centros de preservação da tradição Jeje no Brasil.
Outros bens reconhecidos
Com o tombamento do Bogum, a Bahia amplia o conjunto de bens protegidos pelo Estado. Também foram reconhecidos recentemente os terreiros Omo Ilê Agboulá, na Ilha de Itaparica; Ilê Asé Kalé Bokún, em Plataforma, e Ilê Axé Onirê, em Santo Amaro, além do antigo Grupo Escolar J.J. Seabra, atual Museu Regional de Arte de Feira de Santana, e do edifício da Câmara de Vereadores de Valença.