Wagner Moura será o entrevistado de Pedro Bial na edição desta terça-feira (4) do “Conversa com Bial”. Direto de Atenas, na Grécia, onde cumpre temporada europeia da peça “O julgamento”, o ator fala sobre sua carreira internacional, a decisão de manter o sotaque em produções estrangeiras e os primeiros passos dos filhos na atuação.
Criado por Wagner Moura, Cristiane Jatahy e Lucas Paraízo a partir da obra “Um inimigo do povo”, de Henrik Ibsen, o espetáculo propõe uma reflexão sobre democracia, verdade, polarização e participação popular. Durante a conversa, o ator comenta o cenário político e social contemporâneo.
“Eu me lembro de uma época em que esquerda e direita brigavam, discutiam, mas estavam vendo o mesmo fato. Hoje, os fatos já não importam mais. Se os fatos deixam de existir e passam a existir versões da realidade, isso me assusta”, diz.
Vencedor do Globo de Ouro de Melhor Ator em Filme de Drama neste ano por “O Agente Secreto”, Wagner também relembra o início da trajetória na televisão e destaca a importância das novelas para sua formação profissional. “A novela me preparou porque você tem que chegar e fazer. Esse sentido de sobrevivência, a novela me deu”.
Ao falar sobre a carreira internacional, o ator explica por que prefere manter o sotaque brasileiro em seus trabalhos no exterior. “Eu não quero falar sem sotaque. Acho que represento uma parcela gigante das pessoas que moram naquele país: gente que fala com sotaque, gente imigrante. Politicamente, me sinto muito confortável em dizer que não quero fazer isso”.
Pai de Bem, Salvador e José, Wagner Moura também comenta a decisão dos dois filhos mais velhos de seguirem os primeiros passos na atuação. Salvador já participou em vídeo de uma de suas peças, enquanto Bem, que estuda cinema e pretende ser diretor, fará sua estreia no cinema em um filme dirigido por Monique Gardenberg, ao lado de Marieta Severo e Humberto Carrão.
“Não tem essa coisa de pedir licença. Acho muito legal. Salvador fez aquela participação porque quis. Falou que queria fazer e fez superbem. Achei lindo. Mas o Bem é artista. O Bem estuda cinema, ele quer ser diretor, escreve superbem. Aí a Monique Gardenberg, nossa amiga, tinha um personagem e colocou na cabeça dela que deveria ser o Bem. Ele fez teste, passou e vai fazer um filme dirigido pela Monique, com Marieta Severo e Humberto Carrão, que são grandes amigos meus. São basicamente três personagens. Acho um filme maravilhoso para ele começar”, diz.