Fiol e Porto Sul devem transformar a Bahia em nova rota de exportação de grãos

Fiol e Porto Sul devem transformar a Bahia em nova rota de exportação de grãos

Redação Alô Alô Bahia

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José Mion/Alô Alô Bahia

ANTT

Publicado em 29/07/2026 às 13:00 / Leia em 3 minutos

Os próximos leilões de ferrovias previstos pelo governo federal podem redesenhar a logística de exportação do Brasil e colocar a Bahia em posição estratégica. Entre os projetos aguardados para este ano estão o Anel Ferroviário do Sudeste (EF-118), a Ferrogrão e o Corredor Leste-Oeste (Fico-Fiol), enquanto três trechos da Malha Sul devem ter editais lançados em 2026.

Na avaliação de especialistas, essas novas rotas tendem a reduzir a concentração das exportações nos portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR), criando alternativas mais competitivas para o escoamento da produção nacional. No caso da Bahia, o destaque é o corredor formado pelas ferrovias de Integração do Centro-Oeste (Fico) e de Integração Oeste-Leste (Fiol), que deverá transformar Ilhéus em uma nova porta de saída para grãos por meio do Porto Sul.

Segundo Gustavo Gusmão, sócio da EY-Parthenon para governo e infraestrutura, a integração ferroviária tem potencial para deslocar parte do crescimento das exportações para regiões que hoje enfrentam maiores custos logísticos. “Os projetos são capazes de deslocar parte do crescimento exportador para regiões hoje desfavorecidas por distância, frete rodoviário caro ou baixa competição logística”, disse em entrevista ao Valor Econômico.

O Porto Sul integra o projeto da Fiol. O primeiro trecho da ferrovia, entre Ilhéus e Caetité, deverá ter as obras retomadas nos próximos meses por um consórcio privado. Já o segundo segmento, entre Caetité e Barreiras, permanece sob responsabilidade do governo federal. A expectativa é que ambos estejam plenamente operacionais em 2031.

O terceiro trecho, entre Barreiras (BA) e Figueirópolis (TO), só deverá ser licitado após a conclusão das etapas iniciais. Em Mara Rosa (GO), a Fiol será conectada à Fico, atualmente em construção entre Mara Rosa e Água Boa (MT), além da Ferrovia Norte-Sul, já em operação. A integração permitirá uma ligação ferroviária entre o Centro-Oeste e o litoral baiano.

Especialistas destacam que a nova infraestrutura não deve apenas ampliar as opções de exportação de grãos, mas também reduzir os custos de transporte de insumos agrícolas, especialmente fertilizantes importados. Os benefícios, porém, dependem de investimentos complementares. Segundo especialistas, para que todo o potencial seja aproveitado, é fundamental que haja investimentos complementares em terminais de armazenagem, silos, instalações de transbordo, pátios de carga e descarga, além da infraestrutura portuária.

Para Ciro Biderman, professor da FGV Cidades, o sucesso do Corredor Leste-Oeste depende da conclusão sincronizada da Fiol, da Fico e do Porto Sul. “Se a ferrovia ficar pronta antes do porto ou o porto antes da ferrovia, o ganho fica represado”, avalia. Se o cronograma for cumprido, a conclusão da Fiol e do Porto Sul deverá consolidar a Bahia como uma das principais alternativas para o escoamento da produção agrícola do Centro-Oeste, ampliando a competitividade logística do estado e diversificando as rotas brasileiras de exportação.

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