Novo tarifaço de Trump entra em vigor nesta quarta (22) e pode afetar até US$ 11 bilhões em exportações do Brasil

Novo tarifaço de Trump entra em vigor nesta quarta (22) e pode afetar até US$ 11 bilhões em exportações do Brasil

Redação Alô Alô Bahia

redacao@aloalobahia.com

José Mion/Alô Alô Bahia

AFP

Publicado em 22/07/2026 às 08:18 / Leia em 3 minutos

A nova tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros entrou em vigor à 1h01 (horário de Brasília) desta quarta-feira (22). Anunciada pelo governo de Donald Trump na semana passada, a medida atinge cerca de 3 mil produtos e foi adotada após uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante do Comércio dos EUA (USTR), que concluiu haver práticas consideradas desleais por parte do Brasil.

Segundo o governo norte-americano, essas práticas prejudicam agricultores, trabalhadores e empresas dos EUA em áreas como comércio digital, sistemas de pagamento, tarifas, corrupção, propriedade intelectual, etanol e desmatamento ilegal. Entre os setores que devem sentir os efeitos da nova taxação estão os de etanol, máquinas agrícolas, papel e vestuário.

Com a medida, o Brasil passa a figurar entre os países mais tarifados pelos Estados Unidos, atrás apenas da China. Apesar disso, o governo brasileiro calcula que cerca de 18% das exportações para o mercado americano serão atingidas, já que mais de 2.100 produtos permaneceram isentos, incluindo carne, café, petróleo, laranja, suco de laranja e componentes para a fabricação de aeronaves.

Entre as justificativas apresentadas pela Casa Branca está a criação do Pix, apontado pelos EUA como um fator que teria prejudicado empresas americanas de cartões de crédito. O desmatamento também foi citado, sob a alegação de que reduziria os custos da produção agrícola brasileira, o que levou, por exemplo, à retirada da celulose de alta pureza da lista de produtos isentos.

O governo brasileiro rebate as acusações e afirma que os índices de desmatamento vêm caindo, além de destacar que as bandeiras americanas de cartões ampliaram sua participação no mercado nacional mesmo após a implantação do Pix. O Brasil também ressalta que mantém superávit na balança comercial com os Estados Unidos.

A nova rodada de tarifas aumenta a preocupação do setor produtivo. A Amcham Brasil (Câmara Americana de Comércio) estima que mais de US$ 11 bilhões em exportações brasileiras possam ser afetados, valor próximo ao projetado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O governo federal trabalha com uma estimativa menor, de US$ 5,8 bilhões.

Mesmo sem um acordo entre os dois países, a Amcham afirma que as negociações bilaterais avançaram nos últimos meses e continuam sendo a principal alternativa para reverter as sobretaxas e ampliar a agenda comercial entre Brasil e Estados Unidos.

Os exportadores também temem uma intensificação da queda no comércio entre os dois países. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), a corrente de comércio bilateral recuou 12,8% no primeiro semestre, somando US$ 36,4 bilhões, com saldo favorável aos Estados Unidos de US$ 1,5 bilhão.

A indústria alerta que as novas tarifas podem ampliar as perdas de competitividade frente a concorrentes de outros países. De acordo com a CNI, desde 2025 as exportações de bens industriais brasileiros caíram 8,7%, com destaque para produtos semimanufaturados de ferro e aço, ferro, pasta de madeira e óleos de petróleo. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) também manifestou preocupação com a ampliação das sobretaxas e avaliou que a medida tende a agravar os impactos sobre a economia brasileira.

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