A trajetória de Preta Gil ganha um retrato íntimo e inédito na série documental “Meu Nome É Preta”, que estreia seu primeiro episódio nesta segunda-feira (20) no Globoplay, data que marca um ano da morte da artista. As outras três partes entram na plataforma nos dias 27 de julho, 3 e 8 de agosto, esta última o dia do aniversário de Preta.
Dirigida por Mini Kerti, amiga da cantora há décadas, a produção original em quatro episódios acompanha a história de Preta desde o nascimento e a escolha do nome até sua consolidação como cantora, empresária e uma das figuras públicas mais importantes do país, reconhecida também pela defesa de diferentes causas.
Narrada pela própria Preta, a série reúne imagens inéditas da família Gil, arquivos pessoais, vídeos raros e depoimentos de amigos e familiares, entre eles Carolina Dieckmmann, Regina Casé, Duh Marinho, Gominho, Ivete Sangalo, Ana Carolina, Gilberto Gil, Flora Gil, Bela Gil, Fran Gil e Otávio Muller. As gravações começaram em Salvador, durante o Carnaval em que a artista foi homenageada por blocos e trios.
Em entrevista ao Alô Alô Bahia, Mini Kerti contou que dirigir a produção foi uma experiência intensa por causa da amizade que mantinha com Preta. “Foi muito difícil, mas também muito bonito e emocionante. O tempo todo eu me perguntava: ‘Será que a Preta ia gostar disso? O que está faltando contar?’. Fiz tudo pensando nela. Sinto que esse documentário é um presente meu para a Preta”. A diretora afirma que fez questão de destacar também o legado musical da artista. “Quis que ela estivesse muito presente cantando, porque acho que ela gostaria de ser reverenciada também como a cantora incrível que foi”.
Segundo Mini, a proximidade tornou o processo ainda mais marcante. “Durante as filmagens, eu me pegava o tempo todo chorando e rindo com as histórias dela. Na edição, houve um período em que chorei todos os dias, sem exceção”, revela. Ao mesmo tempo, ela quis retratar a personalidade vibrante da amiga, que era cheia de vida. “Foi essa mulher vibrante que eu quis mostrar no filme, sem deixar de lembrar da importância das causas que ela sempre defendeu”, explica.
A escolha pelo formato de série surgiu diante da dimensão da trajetória da artista e da quantidade de material reunido. “Logo no início do projeto vimos que fazia sentido esse formato pela quantidade de histórias, imagens e entrevistas que a Preta deixou. Tem muita Preta pelo mundo. Ela gostava de falar, de estar com as pessoas, de viver intensamente e de fazer história“. Para a diretora, o grande desafio foi organizar todo esse conteúdo e encontrar a melhor maneira de contar essa história.

Mini Kerti dirigiu série documental | Foto: Fê Pinheiro
A presença da própria Preta conduzindo a narrativa também foi uma decisão tomada desde o início. “Era importante que fosse ela mesma quem contasse a própria trajetória”. Para isso, a equipe pesquisou entrevistas concedidas ao longo da carreira e construiu um diálogo entre a voz da cantora e os depoimentos de familiares e amigos.
Durante a pesquisa, Mini teve acesso a materiais que considera especiais. “Os super-8 da família são lindos. Os VHS da Naná Karabachian também, com a Preta ainda adolescente cantando com o próprio Djavan. Tem a carta que a Preta escreveu para a Maria, em 1993, fotos de família maravilhosas e até áudios de conversas telefônicas entre amigos”. Ela destaca ainda o trabalho da equipe de pesquisa na descoberta desses registros inéditos.
A decisão de iniciar a série em Salvador, durante o Carnaval, também carrega um significado afetivo. “Foi muito simbólico. A Preta era filha de Sandra e de Gilberto Gil, dois baianos, viveu em Salvador na infância e na adolescência, gravou seu primeiro álbum no estúdio da Ivete Sangalo e construiu amizades muito fortes na Bahia”, conta. Para Mini, começar as filmagens na capital baiana era inevitável. “O Carnaval de Salvador sempre teve um lugar especial na vida da Preta. Começar as filmagens justamente no Carnaval de Salvador, o primeiro depois da partida dela, foi muito emocionante. Ela tinha uma alma de Carnaval, então fazia todo sentido que essa história começasse ali”, reflete.
Condensar uma trajetória tão diversa em quatro episódios foi outro desafio. “A Preta foi apresentadora, atriz, cantora, diretora e produtora. Além disso, era uma pessoa cercada de amigos muito importantes para a cultura brasileira e fazia parte de uma família brilhante”, destaca. Embora reconheça que alguns aspectos ficaram de fora, Mini acredita que isso reforça a importância da artista. “Ela merece outros documentários, porque foi uma mulher muito importante para o Brasil e colocou em pauta discussões fundamentais”, defende.
Para a diretora, até mesmo quem acompanhou a carreira de Preta por muitos anos encontrará novidades. “Quem já é fã da Preta vai descobrir lados menos conhecidos da trajetória dela, principalmente o período antes das redes sociais, a infância, a adolescência e a fase em que atuou como diretora e produtora”, revela. Já quem está conhecendo sua história agora, segundo Mini, provavelmente vai se impressionar com a força, a coerência e a coragem com que ela viveu a vida.
A construção dos depoimentos também foi coletiva. “A Flora ajudou muito: lembrava de histórias, sugeria encontros e entrevistas. A Julia Sampaio, fiel escudeira da Preta, a Maria Gil, irmã dela, e o Francisco Gil, seu filho, também tiveram um papel essencial nesse processo”. Ela acrescenta que amigos e parceiros de diferentes momentos da vida da cantora, como o DJ Zé Pedro e os sócios Marcello Azevedo e Malu Barbosa, contribuíram compartilhando lembranças e imagens que ajudaram a dar forma ao retrato da artista.
Assista ao primeiro episódio, “Filha da Tropicália”.
Leia também: Um ano sem Preta Gil: filme e série resgatam momentos marcantes da trajetória da artista