Depois de conquistar sessões esgotadas, críticas elogiosas e grande repercussão nas redes sociais, o espetáculo “Hétero Sigilo” desembarca em Salvador no dia 8 de agosto, no Teatro Jorge Amado, com sessões às 19h e às 21h. Integrando a 26ª Edição do Catálogo Brasileiro de Teatro, a montagem é escrita, protagonizada e idealizada por Bernardo Dugin, com direção de João Fonseca.
Os ingressos custam entre R$ 60 e R$ 140 e podem ser adquiridos através da plataforma Sympla e na bilheteria do teatro.
Monólogo aborda identidade, masculinidade e os impactos da heteronormatividade
Misturando humor, emoção e crítica social, “Hétero Sigilo” apresenta um relato autobiográfico que ultrapassa a experiência individual para refletir sobre os desafios enfrentados por quem cresce sob a pressão de corresponder às expectativas impostas pela sociedade.
Na peça, Bernardo Dugin revisita o período em que viveu sob a máscara de um personagem criado para atender aos padrões da heteronormatividade. Em cena, o ator conduz o público por memórias, conflitos internos e momentos de transformação, discutindo temas como identidade, masculinidade, pertencimento e liberdade.
“O espetáculo não fala apenas sobre sexualidade. Fala sobre os pactos silenciosos que fazemos para caber. Sobre as versões de nós mesmos que inventamos para evitar rejeição, violência ou abandono”, afirma o artista.
Espetáculo nasceu após episódio de homofobia
A ideia da peça surgiu após um episódio de homofobia vivido por Bernardo Dugin e seu namorado durante uma missa de sétimo dia, realizada em Nova Friburgo (RJ), em 2023. O caso teve repercussão nacional e motivou o artista a transformar a experiência em uma investigação cênica sobre medo, silêncio e pertencimento.
Ao longo do processo criativo, o espetáculo deixou de ser apenas um relato autobiográfico para levantar uma reflexão universal: quanto da identidade de cada pessoa é moldada pelo medo da rejeição?
Segundo o diretor João Fonseca, responsável por montagens de sucesso como “Cazuza” e “Minha Mãe é uma Peça”, o espetáculo propõe uma reflexão sobre as estruturas sociais que moldam comportamentos.
“O que me interessa em ‘Hétero Sigilo’ é que ele não aponta indivíduos, mas expõe uma estrutura. A peça fala do preço emocional que se paga para sobreviver dentro de uma norma”, destaca.