Casa Branca admite não ter evidência, mas segue chamando árbitro brasileiro de suspeito

Casa Branca admite não ter evidência, mas segue chamando árbitro brasileiro de suspeito

Redação Alô Alô Bahia

redacao@aloalobahia.com

Redação Alô Alô Bahia

Divulgação

Publicado em 08/07/2026 às 18:55 / Leia em 4 minutos

O diretor executivo da Força-Tarefa da Casa Branca para a Copa do Mundo, Andrew Giuliani, voltou a questionar a atuação do árbitro brasileiro Raphael Claus na expulsão do atacante norte-americano Folarin Balogun. Em entrevista, Giuliani reconheceu que Claus nunca foi investigado formalmente por manipulação de resultados no Brasil, mas afirmou considerar “suspeita” sua atuação na partida entre Estados Unidos e Bósnia e Herzegovina pela fase de 16-avos de final.

Segundo Giuliani, Claus teria sido “ligado” a uma investigação sobre manipulação de resultados envolvendo cartões vermelhos. A declaração faz referência à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Manipulação de Jogos e Apostas Esportivas, instaurada em 2024, da qual o árbitro participou apenas como testemunha. No relatório final da comissão, Claus foi elogiado por sua atuação profissional. Mesmo após ser confrontado com a informação de que o brasileiro nunca foi acusado ou investigado, Giuliani manteve a posição. “Ele estava ligado à investigação. Então, quando você considera esse vínculo, ainda que como testemunha, eu entendo, o fato de ele ter alguma relação com essa investigação, somado ao modo como o VAR foi utilizado?”, afirmou.

O dirigente também confirmou que conversou com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o lance envolvendo Balogun e disse que ambos decidiram recorrer da expulsão aplicada pelo árbitro brasileiro. Giuliani, porém, recusou-se a informar quem levou à Casa Branca as informações sobre o histórico de Claus. “Vou manter privadas as minhas conversas com o presidente Trump. O que posso dizer é que consideramos altamente suspeito o fato de haver um árbitro que havia participado anteriormente de uma investigação sobre manipulação de resultados e, especificamente, sobre a aplicação irregular de cartões vermelhos”, declarou. Ele também criticou a utilização do árbitro de vídeo. “Entendemos que houve aplicação incorreta do protocolo do VAR. Em lances de contato, não se pode utilizar o replay em câmera lenta da forma como foi utilizado naquele caso. Quando você junta esses dois fatores, entendemos que havia algo muito suspeito. O governo dos Estados Unidos, seja nas urnas ou dentro de campo, quer que haja fair play”, acrescentou.

A reclamação da Casa Branca está relacionada à revisão do lance que resultou na expulsão de Balogun. Raphael Claus analisou a jogada em diferentes velocidades antes de confirmar o cartão vermelho por uma entrada no tornozelo de um jogador bósnio. O protocolo da FIFA estabelece que imagens em câmera lenta devem ser utilizadas principalmente para verificar fatos objetivos, como o ponto de contato da infração, enquanto a velocidade normal deve servir para avaliar a intensidade da falta.

Após recurso apresentado pelos Estados Unidos, a FIFA manteve o cartão vermelho, mas retirou a suspensão automática que impediria Balogun de disputar as oitavas de final. A entidade substituiu a punição por um período probatório de um ano, durante o qual o comportamento do atacante será monitorado. Em resposta às declarações de Giuliani, a CBF divulgou nota defendendo Raphael Claus e rejeitando “qualquer insinuação que coloque em dúvida a integridade” do árbitro, destacando sua “excelência técnica, conduta ética e respeito ao futebol”.

As declarações também voltaram a chamar atenção para a proximidade entre Donald Trump e o presidente da FIFA, Gianni Infantino. Giuliani afirmou anteriormente que os dois se encontraram diversas vezes desde o início do segundo mandato do presidente norte-americano. Após Trump pedir a revisão da punição de Balogun e agradecer publicamente à FIFA pela decisão, surgiram críticas de outras delegações sobre um possível favorecimento político. Questionado sobre a repercussão, Giuliani respondeu: “Mantemos nossa posição de que agimos corretamente”.

Compartilhe

Alô Alô Bahia Newsletter

Inscreva-se grátis para receber as novidades e informações do Alô Alô Bahia