O apagão de mão de obra qualificada continua sendo uma das maiores dores de cabeça para quem tenta contratar no Brasil. Uma nova pesquisa global, do ManpowerGroup, revela que impressionantes 80% dos empregadores no país enfrentam dificuldades crônicas para preencher suas vagas abertas. O índice recuou apenas um ponto percentual em relação ao ano passado, provando que a escassez de talentos virou um desafio estrutural que trava o crescimento das empresas.
O levantamento evidencia uma mudança importante no cenário de contratação dos últimos anos. Antes desse salto, em 2019, 52% dos empregadores relatavam dificuldades para contratar. Desde 2022, porém, o indicador se mantém próximo de 80%, mostrando que o problema deixou de ser pontual e passou a integrar a realidade do mercado de trabalho.
Dificuldade para contratar permanece elevada em diferentes setores
A escassez de talentos afeta empresas de diversos segmentos e portes, mas alguns setores enfrentam um cenário ainda mais desafiador.
Segundo a Pesquisa Global de Escassez de Talentos 2026, 85% das empresas de serviços profissionais, científicos e técnicos relatam dificuldades para preencher vagas, o maior percentual entre os segmentos analisados.
Em seguida aparecem as empresas do setor de informação, onde 83% dos empregadores afirmam enfrentar o mesmo problema. Comércio e logística, hospitalidade, manufatura, serviços públicos e recursos naturais estão empatados, com 79% cada.
Para o estudo, a falta de profissionais qualificados pode limitar a expansão dos negócios, reduzir a produtividade e dificultar investimentos em áreas estratégicas.
Vagas abertas são mais difíceis de preencher nas grandes empresas
As empresas de maior porte são as que mais sentem os efeitos da escassez de mão de obra qualificada.
Entre as organizações com 1.000 a 4.999 funcionários, 90% afirmam encontrar dificuldades para contratar profissionais com as competências exigidas pelas vagas. O dado indica que, mesmo com maior capacidade de investimento e recrutamento, essas empresas continuam enfrentando forte concorrência por trabalhadores qualificados.
São Paulo atinge o índice mais alto de escassez de mão de obra
A dificuldade de contratação também varia conforme a região do país, com destaque para São Paulo. De acordo com o levantamento, 88% das empresas paulistas relatam dificuldades para preencher vagas, o maior índice entre os estados analisados.
Na sequência aparecem Minas Gerais, com 85%, Rio de Janeiro, com 80%, e Paraná, com 74%. A pesquisa atribui essas diferenças a fatores como a concentração de determinados setores econômicos e a disponibilidade de profissionais especializados em cada região.
Qualificação profissional ganha força diante da falta de talentos
A escassez de mão de obra produz efeitos que vão além do recrutamento e influencia diretamente a estratégia das empresas.
Segundo o ManpowerGroup, a dificuldade para preencher vagas aumenta a disputa por profissionais qualificados, pressiona salários em algumas áreas, pode adiar investimentos e reforça a necessidade de programas de capacitação e desenvolvimento de competências.
As habilidades técnicas mais difíceis de encontrar são, nesta ordem: desenvolvimento de modelos e aplicações de IA, letramento em IA, TI e dados, front office e atendimento ao cliente, além de marketing e vendas.
Já entre as habilidades comportamentais, chamada softs skills, mais valorizadas pelos empregadores brasileiros estão profissionalismo e ética no trabalho, comunicação e trabalho em equipe, adaptabilidade e disposição para aprender, pensamento crítico e resolução de problemas, além de letramento digital.
Pesquisa reforça que o desafio se tornou estrutural
Os resultados da Pesquisa Global de Escassez de Talentos 2026 indicam que a falta de profissionais qualificados continua sendo um dos principais desafios do mercado de trabalho brasileiro.
Realizado entre 1º e 31 de outubro de 2025 e divulgado em julho de 2026, o levantamento ouviu 39.063 empregadores em 41 países, incluindo empresas brasileiras. A permanência do índice em torno de 80% por quatro anos consecutivos mostra que a dificuldade para contratar deve continuar influenciando as estratégias de recrutamento, qualificação e crescimento das empresas nos próximos anos.