A ex-ministra da Saúde Nísia Trindade lança nesta quarta-feira (1º), em Brasília, o livro Ainda há tempo: a pandemia de covid-19 e a transformação do futuro. A obra reúne relatos sobre os bastidores da pandemia de covid-19 e os desafios políticos enfrentados durante esse período.
Primeira mulher a presidir a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Nísia aborda episódios como a criação de um hospital de emergência de alta complexidade em Manguinhos e a negociação para a transferência de tecnologia da vacina da AstraZeneca.
Ao apresentar o livro, a ex-ministra destaca a importância de preservar a memória da pandemia. “O silêncio é o pior adversário diante de traumas, ainda mais quando podemos considerá-los coletivos”, afirma.
Leia a sinopse:
O silêncio e as meias-palavras são os piores adversários da superação de crises. Ainda há tempo é o resultado da decisão de alguém que estava no olho do furacão durante a pandemia do covid-19: Nísia Trindade era presidente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) quando o cataclismo da saúde pública em escala mundial eclodiu, chegando posteriormente à posição de ministra da Saúde do governo Lula, entre 2023 e 2025.
O alastramento global de uma doença desconhecida parece roteiro de filme de terror, mas, de fato, passamos por isso. Foi uma espécie de trauma coletivo de toda a humanidade, e seus efeitos tiveram impactos ainda mais devastadores sobre os grupos sociais em situação de vulnerabilidade.
Em Ainda há tempo , a pesquisadora, cientista política, socióloga e sanitarista Nísia Trindade traz um relato corajoso das ações desenvolvidas durante aqueles poucos anos que pareceram décadas: a coordenação das ações da Fiocruz e seu papel fundamental para viabilizar a vacinação no país; o trabalho com movimentos sociais e territórios de comunidades e periferias em todo o Brasil; a gestão das centrais de diagnóstico; a participação em fóruns de saúde global coordenados pela Organização Mundial da Saúde (OMS); e o trabalho articulado com estados e municípios – tudo isso em meio a uma atmosfera de negacionismo fomentada pelo então presidente da República.
O que poderia ter sido diferente se a postura do governo tivesse sido outra? Se o comportamento errático de quem se recusava a usar máscaras e se vacinar não tivesse sido incentivado por quem estava no poder? Como um país desigual é afetado de formas desiguais? E o que aprendemos com essa situação?
Sabendo que novas crises no futuro serão inevitáveis, esta obra não se limita a expor os absurdos a serem combatidos, mas também propõe uma postura assertiva e esperançosa para enfrentar os desafios. Mais do que uma recapitulação da história recente, Ainda há tempo é uma chamada ao diálogo e à reflexão.