Caso Ypê: Fiscais relatam falta de higiene em fábrica e encontram bactéria em produtos pela 2ª vez

Caso Ypê: Fiscais relatam falta de higiene em fábrica e encontram bactéria em produtos pela 2ª vez

Redação Alô Alô Bahia

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Publicado em 07/05/2026 às 19:13 / Leia em 4 minutos

A interdição de uma linha de produção da marca Ypê, em Amparo (SP), foi motivada por falhas sanitárias e suspeitas de contaminação identificadas durante fiscalização conjunta de órgãos de saúde. Técnicos relataram problemas de higiene nas instalações e investigam a possibilidade de contaminação da água utilizada no processo industrial por esgoto.

De acordo com o Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo (CVS), a medida foi adotada após a constatação de que a empresa não conseguiu corrigir de forma consistente irregularidades já apontadas anteriormente, em novembro de 2025. Na ocasião, foi detectada a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em produtos de limpeza.

Segundo o diretor do CVS, Manoel Lara, a inspeção mais recente voltou a identificar falhas nas práticas de produção. “Na inspeção foram detectadas falhas nas boas práticas de processamento de produtos. Tinha tanto falhas documentais quanto falhas relacionadas à questão de higiene e limpeza das áreas de produção”, afirmou. “De alguma forma, essas falhas poderiam estar ligadas a essa contaminação por Pseudomonas”, completou.

Entre os problemas observados, fiscais apontaram acúmulo de sujeira em diferentes áreas da fábrica, incluindo pisos, tubulações e equipamentos. “Tinha acúmulo de sujidades no ambiente, no piso, em cima de tubulações e máquinas, com poeira, o que demonstrava uma falha na questão de limpeza”, disse Lara.

Ainda não há confirmação sobre a origem da contaminação, mas uma das hipóteses analisadas é o rompimento de estruturas de escoamento de esgoto, o que poderia ter comprometido o reservatório de água utilizado na produção.

Apesar de alguns lotes terem apresentado resultados satisfatórios em análises realizadas entre novembro e abril, a nova detecção do micro-organismo reacendeu o alerta das autoridades sanitárias. Com isso, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária determinou não apenas a retenção dos produtos, mas também a paralisação da linha afetada.

A estrutura interditada tem capacidade para produzir anualmente cerca de 23 mil toneladas de detergente e 33 mil toneladas de lava-roupa líquido. Os produtos que devem ser recolhidos correspondem a unidades fabricadas entre abril e setembro de 2025. Outras linhas da fábrica e unidades da empresa em diferentes regiões do país não foram afetadas.

O auto de infração foi emitido pela Prefeitura de Amparo, responsável pela ação local em conjunto com os órgãos estaduais e federais. Segundo o secretário de comunicação do município, Luiz Crescenzo, a empresa tem prazo de dez dias para apresentar recurso. “Se o recurso não apresentar argumentos suficientes para negar a violação das boas práticas de produção identificadas pela Anvisa, é possível que se determine uma multa”, afirmou.

O CVS informou que a situação ainda pode ser revertida, desde que a empresa identifique a origem do problema e apresente um plano de ação com medidas corretivas. Isso inclui avaliação da qualidade da água, revisão dos processos de higienização, adequação às normas sanitárias e treinamento de funcionários.

Em nota, a empresa afirmou que confia na reversão da decisão. “A Ypê esclarece que possui fundamentação científica robusta, baseada em testes e laudos técnicos independentes, atestando que seus produtos das categorias lava-louças, lava-louças concentrado, lava-roupas líquido e desinfetante são seguros e não representam qualquer risco ao consumidor”, informou. A companhia também declarou manter diálogo com a Anvisa e disse acreditar que novas evidências técnicas poderão reverter a suspensão.

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