Com a expectativa de cerca de 6,5 milhões de pessoas circulando durante a Copa do Mundo FIFA de 2026, que será realizada nos Estados Unidos, México e Canadá, autoridades de saúde reforçam a importância de atualizar a carteira de vacinação antes de viagens internacionais.
O principal alerta é em relação ao sarampo, que voltou a registrar casos nas Américas. No Brasil, o Ministério da Saúdechegou a emitir um alerta técnico sobre o risco de reintrodução da doença, especialmente com o retorno de viajantes. Historicamente, brasileiros marcam forte presença no torneio, o que amplia a preocupação com a circulação internacional e possíveis contágios.
Altamente contagioso, o sarampo é transmitido pelo ar ou por gotículas respiratórias liberadas ao falar, tossir ou espirrar. Segundo o patologista clínico Helio Magarinos Torres Filho, o vírus pode permanecer no ar por até duas horas em ambientes fechados. A doença costuma causar febre alta, tosse, coriza, conjuntivite e manchas vermelhas pelo corpo, podendo evoluir para complicações graves, como pneumonia e encefalite.
A principal forma de prevenção é a vacina tríplice viral, que também protege contra caxumba e rubéola. A especialista Patrícia Vanderborght, doutora pela Fundação Oswaldo Cruz, alerta que eventos com grande circulação internacional aumentam o risco de transmissão. “O sarampo não é uma doença do passado. Ele volta sempre que a gente relaxa na vacinação. Basta um caso importado para gerar risco de surto”, destaca.
As recomendações variam conforme a idade. Pessoas entre 12 meses e 29 anos devem ter duas doses da vacina, enquanto adultos de 30 a 59 anos precisam de ao menos uma dose, dependendo do histórico vacinal. Para quem vai viajar, o ideal é estar com a imunização completa pelo menos duas semanas antes do embarque.
Outro ponto importante é a checagem da carteira de vacinação. Muitos adultos não sabem se receberam todas as doses ou não possuem comprovante. Nesses casos, a orientação é procurar um serviço de saúde para avaliação. A revisão é simples, mas pode evitar exposição desnecessária em ambientes com grande circulação de pessoas.
Além da proteção individual, a vacinação contribui para reduzir a circulação do vírus e proteger pessoas mais vulneráveis, como bebês, gestantes e imunossuprimidos. Casos recentes reforçam o alerta: uma criança de seis meses contraiu sarampo após viagem à Bolívia, onde há surto ativo, e outro caso foi registrado no Rio de Janeiro em uma jovem adulta sem vacinação.
Apesar de o Brasil ainda ser considerado livre da circulação endêmica do sarampo, os índices de vacinação seguem abaixo da meta ideal de 95%. Em 2025, a cobertura da primeira dose foi de 92,74% e da segunda, 78,09%. Em 2026, os números caíram ainda mais, para 91,12% e 76,46%, mantendo o sinal de alerta das autoridades de saúde.