Baiana assina curadoria de projeto histórico que une Adriana Varejão e Rosana Paulino na Bienal de Veneza

Baiana assina curadoria de projeto histórico que une Adriana Varejão e Rosana Paulino na Bienal de Veneza

Redação Alô Alô Bahia

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José Mion/Alô Alô Bahia

Rodrigo Sombra

Publicado em 15/04/2026 às 09:54 / Leia em 3 minutos

O Brasil se prepara para apresentar um projeto inédito na Bienal de Veneza, unindo pela primeira vez, de forma orgânica, as trajetórias de Adriana Varejão e Rosana Paulino sob a curadoria da baiana Diane Lima. Intitulada “Comigo Ninguém Pode”, a mostra ocupa o Pavilhão do Brasil entre 9 de maio e 22 de novembro.

No centro do pavilhão, uma viga que historicamente separava exposições simultâneas ganha novo significado ao reunir, em vez de dividir, as produções das duas artistas. A proposta curatorial parte justamente desse gesto simbólico. “Desde o início, o projeto já tinha como proposta a ideia de uma exposição instalativa que contemplasse ambas as artistas. Nunca se tratou de dois projetos individuais, mas antes disso, um projeto que, de fato, nascesse a partir de um diálogo”, explica Diane, pesquisadora baiana escolhida pela Fundação Bienal de São Paulo para liderar a iniciativa, em entrevista ao Estadão.

Com mais de três décadas de carreira, Varejão e Paulino compartilham investigações sobre a história colonial brasileira, eixo que orienta a exposição. A curadoria também se inspira na planta popular que dá nome ao projeto, evocando ideias de proteção, toxicidade, resiliência e sincretismo religioso, além da relação com a natureza. “As obras não estão loteadas dentro do pavilhão em determinados espaços. Elas estão o tempo todo se relacionando, se ecoam, se espelham, evoluem juntas e se complementam”, afirma Adriana à publicação.

Entre os destaques, estão 12 telas inéditas de Varejão instaladas na viga central e a reconfiguração de “Tecelãs” (2003), obra histórica de Rosana. “Tinha essa importância de também ter as obras anteriores. Somos artistas com mais de 30 anos de carreira. Não dá para simplesmente ocupar um espaço como se não tivesse uma história anterior. Foi proposta a colaboração e aconteceu”, comenta Rosana.

Rosana, Diane e Adriane | Foto: Wallace Domingues/Rodrigo Ladeira/Tinko Czetwertynski/Fundação Bienal de São Paulo

A participação brasileira na Bienal tem ganhado destaque nos últimos anos, como em 2024, quando Adriano Pedrosa assumiu a curadoria geral da mostra principal. Em 2026, o evento adota o tema “In Minor Keys”, sob direção de um coletivo internacional, e contará também com obras de artistas brasileiros no pavilhão central, incluindo do baiano Ayrson Heráclito.

Diane reforça o caráter histórico da iniciativa, que marca a primeira vez que três mulheres lideram o pavilhão brasileiro, além de ser a estreia de uma curadora e uma artista negra nessa posição. “Se pensarmos no Brasil como esse grande laboratório racial, existe aí uma contribuição do ponto de vista de uma necessidade de justiça e de redistribuição da qual temos responsabilidade. Nesse momento, o pavilhão se posiciona olhando para essa história, mas também ocupando esse espaço de um modo que nunca havia sido ocupado antes”, afirma.

“Juntar forças, poder interagir e construir algo em conjunto é uma experiência maravilhosa e um exercício lindo de existência e criação”, afirma Adriana. “Na Bahia a gente fala muito assim: ‘Me arrepiei toda’. É isso. Eu gostaria que as pessoas se arrepiem quando entrem exposição”, concluiu Diane ao Estadão.

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