Os aeroportos regionais do Nordeste e da Amazônia Legal passam a integrar a concessão da GRU Airport, após a assinatura de um termo aditivo pelo Ministério de Portos e Aeroportos nesta terça-feira (14). A medida inclui 12 terminais no contrato da concessionária e prevê R$ 731,6 milhões em investimentos, sendo cerca de R$ 630 milhões voltados à modernização da infraestrutura, com impacto direto também em aeroportos baianos estratégicos para o turismo e a economia regional.
Na Bahia, os aeroportos de Aeroporto de Paulo Afonso e Aeroporto de Lençóis, este último porta de entrada da Chapada Diamantina, estão entre os principais contemplados. Juntos, concentram alguns dos maiores volumes de investimento do pacote, com R$ 106,2 milhões e R$ 80,2 milhões, respectivamente, reforçando o papel do estado como hub turístico e logístico no Nordeste.
Os aeroportos foram arrematados no leilão da primeira rodada do Programa AmpliAR, realizado em novembro do ano passado, iniciativa voltada ao fortalecimento da aviação regional, ampliação da conectividade aérea e estímulo ao desenvolvimento econômico em áreas estratégicas. As intervenções previstas incluem melhorias em pistas, pátios e terminais de passageiros, com foco na segurança, eficiência operacional e qualidade dos serviços.
O ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, destacou a relevância da medida. “Quando falamos em concessões, não estamos tratando apenas de limitações orçamentárias do Estado, mas de uma solução estruturante: ela amplia a eficiência, melhora a logística nacional e gera emprego e oportunidades em todas as regiões do país”, afirmou.

Termo Aditivo foi assinado nesta terça-feira (14) | Foto: Vosmar Rosa
Ao lembrar que o Aeroporto Internacional de Guarulhos responde por 37% do movimento de passageiros do país, o diretor-presidente da GRU Airport, Osvaldo Garcia, ressaltou o potencial da expansão. “Levar a experiência consolidada em São Paulo para aeroportos regionais é mais do que motivo de orgulho e é também uma contribuição concreta para o avanço da aviação brasileira e para o desenvolvimento do país”, disse. Segundo ele, o Programa AmpliAR foi determinante para a decisão da concessionária. “Identificamos no programa uma oportunidade real de fortalecer a conectividade regional, modernizando e ampliando a infraestrutura aeroportuária, especialmente em áreas mais remotas”, acrescentou.
Para o secretário nacional de Aviação Civil, Daniel Longo, a iniciativa representa uma mudança estrutural no setor. “O AmpliAR inaugura um modelo inovador ao colocar aeroportos regionais sob a gestão de operadores com expertise e capacidade de investimento. Vamos avançar para garantir infraestrutura mais moderna e serviços de melhor qualidade à população. É uma iniciativa que destrava investimentos, fortalece a infraestrutura e impulsiona a interiorização da aviação civil brasileira”, destacou.
O diretor executivo da ABR Aeroportos do Brasil, Tiago Bonvini, também enfatizou os impactos do modelo. “A assinatura do termo aditivo materializa um princípio central para o setor, a capacidade da iniciativa privada de promover ganhos concretos em infraestrutura e na qualidade dos serviços aeroportuários. Nos últimos anos, o modelo de concessões tem elevado o padrão dos aeroportos e transformado a experiência dos usuários”, afirmou.
Além dos terminais baianos, o pacote contempla aeroportos em diferentes estados, com aportes relevantes em destinos turísticos e polos regionais, como Barreirinhas (MA), Araguaína (TO) e São Raimundo Nonato (PI), entre outros. “O grande desafio desses aeroportos é que muitos ainda operam no vermelho. Terminais como Galeão, Brasília e Guarulhos naturalmente atraem interesse, mas assumir ativos com maior risco exige visão de longo prazo. Finalmente, encontramos uma via consistente para esses aeroportos, com investimentos superiores a R$ 600 milhões apenas neste bloco. Mais do que os recursos, o diferencial será a gestão profissional e eficiente que esses terminais passarão a ter”, concluiu Tomé Franca.