Exposição reúne 155 cadernos e revela universo onírico de Chico Baldini no Rio Vermelho

Exposição reúne 155 cadernos e revela universo onírico de Chico Baldini no Rio Vermelho

Redação Alô Alô Bahia

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José Mion/Alô Alô Bahia

Roberto Abreu

Publicado em 13/04/2026 às 17:16 / Leia em 3 minutos

Chico Baldini apresenta ao público soteropolitano o universo íntimo e imaginativo que vem construindo ao longo de duas décadas na exposição “pássaro peixe coração sereia”, em cartaz até o dia 2 de maio n’Ativa Atelier Livre, no Rio Vermelho. A mostra reúne 155 cadernos com desenhos produzidos entre 2006 e 2026, em preto e branco e coloridos, que transformam páginas de uso cotidiano em narrativas visuais que misturam corpos humanos e animais em composições oníricas.

Criados em meio a deslocamentos, encontros e intervalos da rotina, os desenhos funcionam como um registro contínuo do artista. “São uma maneira de fazer um diário, manter minha mente afiada, de conectar com o inconsciente e minha criança interior”, relata Baldini, que cultiva o hábito de desenhar diariamente. O formato portátil dos cadernos contribui para essa prática constante. “Eles estão sempre comigo”, revela.

Com trajetória consolidada, Baldini já teve suas imagens aplicadas em livros, revistas, estampas, móveis e até em uma escultura do projeto Cow Parade. Seu trabalho circulou por países como Brasil, Canadá, Estados Unidos, França e Alemanha, além de integrar a publicação “Illustration Now 4”, da editora Taschen.

Nascido em Porto Alegre e formado em publicidade, o artista viveu por mais de uma década em São Paulo, onde cofundou a agência digital W3haus, antes de se dedicar integralmente à produção artística. Desde 2023, escolheu Salvador como base, onde realiza sua primeira exposição individual na cidade.

A mudança para a Bahia também atravessa sua obra recente. Após viver em Florianópolis, onde se aproximou da natação em águas abertas, Baldini encontrou em Salvador um ambiente que conecta sua pesquisa ao mar e ao inconsciente. “A necessidade de calor e de uma vida cultural mais colorida me trouxe à Bahia”, conta.

A curadoria, assinada pelos artistas visuais Lanussi Pasquali e João Gravador, propõe uma leitura dos cadernos que ultrapassa a ideia de acúmulo de imagens. “Não se trata apenas de um acúmulo de imagens, mas de uma prática artística que, ao longo de 20 anos, se constituiu como gesto queer, contornando, reconfigurando e questionando normas de forma, gênero, corpo e representação”, afirmam. Dispostos nas paredes com páginas abertas, os cadernos revelam fragmentos de um fluxo maior, sugerindo narrativas incompletas e simultâneas. “O caderno surge como experimentação entre documento e obra, fluxo e recorte. Cada página aberta implica o fechamento de outra”, acrescentam.

Como forma de ampliar o acesso ao conteúdo, o artista promove ativações nos dias 15 e 22 de abril, às 15h, quando irá trocar as páginas expostas e produzir novos desenhos diretamente nas paredes do ateliê, oferecendo ao público uma experiência dinâmica e processual de sua criação.

A exposição pode ser visitada de quarta a sexta, das 15h às 19h, e aos sábados, das 9h às 12h, com possibilidade de agendamento para outros horários por e-mail.

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