Abrolhos, no sul da Bahia, movimenta R$ 1,9 bilhão e sustenta 100 mil empregos com pesca e turismo

Abrolhos, no sul da Bahia, movimenta R$ 1,9 bilhão e sustenta 100 mil empregos com pesca e turismo

Redação Alô Alô Bahia

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José Mion/Alô Alô Bahia

Tales Azzi/Viaje Mais

Publicado em 13/04/2026 às 12:44 / Leia em 3 minutos

Um estudo inédito conduzido pelo WWF-Brasil, em parceria com o ICMBio e o coletivo Abrolhos para Sempre, revela que a pesca, o turismo e as Unidades de Conservação movimentaram R$ 1,9 bilhão em 2024 na região dos Abrolhos, entre o sul da Bahia e o norte do Espírito Santo, sustentando cerca de 100 mil empregos. Os dados reforçam o peso econômico da conservação ambiental, com as áreas protegidas respondendo por aproximadamente 28% da economia ligada a essas atividades e por cerca de 30% dos postos de trabalho.

Na Bahia, onde estão alguns dos principais ativos da região, os números ganham ainda mais relevância. O Parque Nacional Marinho dos Abrolhos recebeu 16.912 visitantes em 2024 e gerou quase R$ 7 milhões na economia local. Já o Parque Municipal Recife de Fora (3º maior banco de corais do Brasil, em Porto Seguro) atraiu 73.650 visitantes, movimentando mais de R$ 51 milhões e gerando 2.470 empregos diretos e indiretos. As Reservas Extrativistas de Canavieiras, Corumbau e Cassurubá, também no território baiano, somam mais de 18 mil empregos e cerca de R$ 330 milhões em movimentação econômica, evidenciando o protagonismo do estado dentro desse ecossistema produtivo.

No conjunto da região, as Unidades de Conservação foram responsáveis, direta ou indiretamente, por 29.163 empregos e pela injeção de R$ 536,3 milhões nas economias locais. Considerando apenas pesca e turismo, as duas atividades garantiram cerca de 97 mil postos de trabalho, sendo mais de 32 mil empregos diretos e R$ 795 milhões em renda imediata, além de um forte efeito multiplicador que amplia esses impactos.

A pesca artesanal teve papel expressivo, com mais de 10,4 mil empregos diretos e R$ 183,6 milhões em renda, além de gerar outros 20,8 mil empregos indiretos e R$ 353,6 milhões adicionais. Já o turismo se consolidou como principal motor econômico, com quase 22 mil empregos diretos, R$ 611,5 milhões em renda direta, 43,9 mil empregos indiretos e mais de R$ 743 milhões em receitas indiretas.

“O estudo confirma que o impacto econômico dessas atividades vai muito além do que aparece inicialmente. Quando considerados os efeitos indiretos, o número total de empregos praticamente triplica e a renda gerada mais que dobra. Isso mostra que proteger as áreas marinhas não é apenas uma agenda ambiental, mas uma estratégia econômica robusta, capaz de sustentar cadeias produtivas inteiras e garantir estabilidade para milhares de famílias”, afirma Marina Corrêa, analista de Conservação e líder da agenda de Oceano do WWF-Brasil.

“A cada manguezal protegido, a cada área marinha preservada, cresce a força econômica de setores como pesca e turismo. Essa relação entre natureza e desenvolvimento não apenas fortalece a identidade local, mas aponta um caminho claro para o futuro: investir na conservação é investir em qualidade de vida, oportunidades e justiça social”, afirma João Carlos Pádua, autor do estudo e professor da Universidade Estadual de Santa Cruz.

Considerada uma das áreas marinhas mais ricas do Atlântico Sul, a Região dos Abrolhos abriga recifes de coral únicos, manguezais extensos e espécies emblemáticas como as baleias-jubarte, sendo estratégica para reprodução e migração marinha. Reconhecida como Hope Spot pela Mission Blue, a região pode ainda conquistar o título de Patrimônio Mundial Natural da UNESCO.

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