Ex-sócio baiano do Master estrutura fundo para seguir operando o Credcesta

Ex-sócio baiano do Master estrutura fundo para seguir operando o Credcesta

Redação Alô Alô Bahia

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Vaner Casaes / Alba

Publicado em 10/04/2026 às 14:16 / Leia em 5 minutos

O empresário Augusto Lima, responsável pela criação do Credcesta, busca alternativas para manter a operação do cartão consignado após dificuldades para firmar novas parcerias no sistema financeiro. Segundo um jornal de grande veiculação, sem apoio de bancos ou fintechs para sustentar a atuação em escala nacional, a estratégia atual é estruturar um fundo de investimento que permita a continuidade do negócio na Bahia, estado onde o produto possui exclusividade até 2033.

O Credcesta reúne serviços financeiros, incluindo oferta de crédito com desconto em folha para servidores públicos. De acordo com o balanço mais recente do Banco Master, referente a 2024, o produto chegou a ter presença em 24 estados e 176 municípios.

Especialistas do setor de crédito consignado ouvidos pelo jornal apontam que, apesar da capilaridade e do reconhecimento da marca, instituições financeiras evitam se associar ao produto neste momento. O motivo seria o risco reputacional relacionado ao vínculo com o Banco Master e seus acionistas.

Nesse tipo de operação, a necessidade de capital constante e o suporte de parceiros financeiros são considerados essenciais. Sem essa estrutura, há dificuldades tanto para renovar crédito a clientes existentes quanto para ampliar a base, o que tende a reduzir gradualmente a operação.

Parte relevante das carteiras do Credcesta já havia sido transferida a outras instituições. Com a quitação dos financiamentos originais, essas empresas passam a ofertar novos produtos aos clientes, em um movimento que tem redesenhado o mercado em nível nacional.

Na Bahia, porém, a exclusividade contratual mantém o espaço para continuidade do serviço. A avaliação de agentes do setor é que a criação de um fundo pode viabilizar a manutenção das atividades no estado. A proposta em análise prevê a estruturação de um FIDC (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios), com captação inicial estimada em R$ 500 milhões junto a investidores institucionais. Para retomar uma operação nacional, o volume necessário seria significativamente maior, com estimativas a partir de R$ 2 bilhões.

Ainda segundo a reportagem, a iniciativa também é vista como uma forma de ganhar tempo até que o cenário envolvendo investigações relacionadas ao Banco Master se estabilize, o que poderia reabrir espaço para futuras parcerias.

O Credcesta teve origem a partir de um cartão vinculado à rede de supermercados Cesta do Povo, da estatal Ebal, privatizada em 2018. Após a aquisição, o produto foi ampliado, passando a oferecer novos benefícios. O contrato de privatização garantiu exclusividade por 15 anos na operação do cartão consignado para servidores estaduais, além de mudanças posteriores que restringiram a portabilidade.

No mesmo ano, Augusto Lima firmou parceria com o banco controlado por Daniel Vorcaro para expandir o produto. Em julho de 2025, recebeu autorização do Banco Central para assumir o controle do banco Voiter, ligado ao Master, que foi transformado em Banco Pleno, mantendo ali as operações do Credcesta.

Em novembro do ano passado, Lima foi preso durante a Operação Compliance Zero, junto a Vorcaro e outros executivos do Banco Master, episódio que impactou a confiança no negócio. Em fevereiro deste ano, o Banco Pleno entrou em processo de liquidação.

Após esses desdobramentos, o governo do Rio de Janeiro decidiu suspender a exclusividade do Credcesta no estado. Na Bahia, entretanto, o contrato foi mantido, mesmo após a liquidação do Banco Pleno, que interrompeu o fluxo de recursos para o produto.

Entre agentes do mercado, há a percepção de que o governo baiano tem concedido prazo para reorganização da operação. O empresário mantém interlocução com diferentes grupos políticos, incluindo lideranças do centrão e do PT. Documentos encaminhados pela Receita Federal à CPI do Crime Organizado indicam transferências do Banco Master para a BN Financeira, empresa ligada a familiares do senador Jaques Wagner, além de um valor menor destinado diretamente ao parlamentar.

Jaques Wagner afirma que o montante recebido refere-se a rendimento de aplicação financeira e nega qualquer relação direta com pagamentos do banco. A BN Financeira, por sua vez, informa que prestou serviços ao Banco Master com emissão de nota fiscal entre 2022 e 2025.

O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, declarou que a manutenção do contrato do Credcesta está sob análise e não descartou uma eventual revisão. “A PGE está analisando o que significa para a gente ter um banco nessa situação. Se o banco não tem condições de operar, a lógica é rever contrato e tomar decisões”, afirmou.

Em nota, a Procuradoria-Geral do Estado informou que avalia os aspectos jurídicos do acordo. Já o ex-ministro Rui Costa evitou comentar o caso, destacando que cabe ao governo estadual analisar a viabilidade econômica, técnica e jurídica da continuidade do contrato. Ele também mencionou que o Banco Central pode orientar eventuais decisões sobre a permanência de contratos com o Credcesta.

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