A cidade de Salvador passa a contar oficialmente com a Semana do Samba no calendário municipal. A Lei nº 9.975/2026 foi sancionada e publicada no Diário Oficial do Município, estabelecendo a realização do evento no fim de novembro, em conexão com o Dia Nacional do Samba, celebrado em 2 de dezembro.
A iniciativa tem origem no Projeto de Lei nº 364/2025, de autoria da vereadora Aladilce Souza (PCdoB). Segundo a parlamentar, a proposta busca “promover o samba e suas vertentes, valorizar a classe artística do gênero, realizar atividades culturais e educativas para fortalecer a identidade e preservar a memória do samba da cidade”.
A nova legislação prevê a promoção de ações de valorização do samba como patrimônio cultural, abrangendo diferentes expressões do gênero, como samba de roda, samba-reggae, samba de viola e samba de caboclo. A construção da proposta, de acordo com a autora, foi impulsionada pelo diálogo com sambistas, compositores e produtores culturais baianos, especialmente aqueles com atuação nas periferias.
“Fizemos questão de colocar no parágrafo único a garantia de no mínimo 50% dos artistas e grupos tradicionais envolvidos na programação oficial serem das periferias de Salvador, incluindo o Subúrbio Ferroviário, Cajazeiras, Pernambués, Plataforma, São Caetano e outras áreas com tradição de samba”, ressaltou Aladilce.
Durante a Semana do Samba, a cidade deverá receber uma série de atividades culturais, educativas e artísticas voltadas ao fortalecimento da identidade do samba soteropolitano. A programação inclui exposições, documentários, oficinas, debates, rodas de samba e cortejos em bairros históricos, além de oficinas de percussão, dança e composição, mostras audiovisuais e feiras ligadas ao artesanato, à gastronomia e à música.
A lei também estabelece diretrizes para a seleção de artistas e grupos, priorizando mestres e representantes da tradição do samba em Salvador, coletivos culturais, escolas de samba e projetos sociais que utilizam o gênero como ferramenta educativa. Entre as medidas previstas estão ainda a criação de editais específicos para coletivos de periferia, transporte gratuito ou subsidiado para o público e a possibilidade de parcerias e convênios para viabilizar as ações, com recursos do Fundo Municipal de Cultura e outras fontes.
Além de preservar a memória e fortalecer a identidade cultural, a Semana do Samba também tem como objetivo impulsionar o turismo cultural e a economia criativa ligada ao gênero na capital baiana.