Irã ameaça romper cessar-fogo com os EUA após ataques de Israel contra o Líbano

Irã ameaça romper cessar-fogo com os EUA após ataques de Israel contra o Líbano

Redação Alô Alô Bahia

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Maryam Srour/MSF

Publicado em 08/04/2026 às 14:55 / Leia em 3 minutos

O Irã sinalizou que pode retomar ações militares após novos bombardeios realizados por Israel contra o Líbano nesta quarta-feira (8). Segundo autoridades iranianas, há avaliação interna sobre uma possível resposta diante do que classificam como violação do cessar-fogo em vigor.

De acordo com a emissora estatal Press TV, um alto funcionário da segurança afirmou que o país pode iniciar uma ofensiva defensiva em larga escala a qualquer momento, citando o descumprimento do acordo por parte de Israel. O representante também defendeu a atuação de mediadores internacionais e reiterou a posição de Teerã de que o cessar-fogo deve abranger todas as frentes, incluindo o território libanês e a Faixa de Gaza.

A tensão aumentou após declarações do porta-voz da Comissão de Segurança Nacional do Parlamento iraniano, Ebrahim Rezaei, que sugeriu medidas mais duras, como a interrupção do tráfego no Estreito de Ormuz. “Em resposta à invasão selvagem dos sionistas ao Líbano, agora mesmo deve-se parar o tráfego de navios no Estreito de Ormuz. Os libaneses deram suas vidas por nós, e não devemos deixá-los sozinhos nem por um momento. Cessar-fogo ou em todas as frentes ou em nenhuma frente”, afirmou.

Em nota, as Forças Armadas iranianas informaram que manterão “controle inteligente” sobre o estreito, por onde circula cerca de 20% do petróleo e gás mundial, sem detalhar as ações previstas. A reabertura temporária da rota marítima havia sido uma das condições para o acordo de trégua mediado pelos Estados Unidos.

Do lado israelense, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu declarou apoio ao acordo com o Irã, mas indicou que o Líbano não estaria incluído nos termos do cessar-fogo. As Forças de Defesa de Israel informaram ter atingido cerca de 100 alvos em um intervalo de dez minutos no sul do Líbano e em Beirute.

O Ministério da Saúde libanês divulgou um balanço preliminar indicando dezenas de mortos e centenas de feridos após os ataques. Imagens de destruição em áreas urbanas da capital circularam na imprensa local. O Hezbollah orientou moradores deslocados a não retornarem às suas casas enquanto não houver confirmação de cessar-fogo no país.

O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, criticou os bombardeios em áreas densamente povoadas. “[Israel não se importa] com todos os esforços regionais e internacionais para deter a guerra, não obstante o desprezo total pelos princípios do direito internacional e do direito internacional humanitário, que nunca respeitou de fato”, afirmou.

Já o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que atuou como mediador no acordo, pediu contenção das partes envolvidas. “Eu apelo sinceramente e com toda a seriedade a todas as partes para que exerçam moderação e respeitem o cessar-fogo por duas semanas, conforme acordado, para que a diplomacia possa assumir um papel de liderança rumo a uma solução pacífica para o conflito”, declarou.

Segundo dados do Ministério da Saúde do Líbano, desde o início da atual fase do conflito, em 2 de março, mais de 1,5 mil pessoas morreram e cerca de 4,8 mil ficaram feridas. O balanço também aponta danos a unidades de saúde e o deslocamento de mais de 1 milhão de pessoas.

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