Após processar o apresentador Ratinho por transfobia, Erika Hilton contou que recebeu ligação de uma das filhas de Silvio Santos, Daniela Beyruti. A atual presidente do SBT entrou em contato com a deputada federal para se desculpar pelas falas do artista.
“Ela me ligou. Nós tivemos uma conversa por telefone de quase 10 minutos. Foi muito gentil, muito educada. Eu disse para ela, inclusive, o quanto minha família sempre gostou muito do SBT e do Silvio Santos. Eu cresci vendo o SBT na minha casa, ela ficou extremamente feliz e fez um pedido de desculpa em nome da emissora”, declarou Erika, ao portal Leo Dias.
Entenda
A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) acionou o Ministério Público Federal para investigar o apresentador Ratinho e o SBT por declarações consideradas transfóbicas feitas durante a transmissão de seu programa no último dia 11 de março. Durante a atração, o apresentador questionou a legitimidade da escolha da parlamentar para ocupar a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados e afirmou que o posto deveria ser ocupado por uma “mulher de verdade”.
“Ela não é mulher, ela é trans. Eu não tenho nada contra trans, mas se tem outras mulheres, mulher mesmo… Mulher para ser mulher tem que ser mulher, gente. Eu até respeito, respeito todo mundo que tem comportamento diferente, está tudo certo. Agora, para ser mulher tem que ter útero, menstruar, tem que ficar chata três, quatro dias”, afirmou.
Diante da repercussão, o SBT divulgou uma nota oficial repudiando qualquer forma de discriminação e afirmando que as declarações do apresentador serão analisadas internamente.
“O SBT repudia qualquer tipo de discriminação e preconceito, que são o oposto dos princípios e valores da empresa. As declarações do apresentador Ratinho, expressadas ao vivo ontem em seu programa, não representam a opinião da emissora e estão sendo analisadas pela direção da empresa, que tratará do tema internamente a fim de que nossos valores sejam respeitados por todos os colaboradores.”, disse a emissora.
Além da investigação, a parlamentar solicitou a abertura de uma ação civil pública pedindo indenização de R$ 10 milhões por danos morais coletivos contra a população trans. No pedido, ela também solicita que o apresentador e a emissora sejam obrigados a veicular uma retratação pública em horário nobre, com duração equivalente ao comentário exibido no programa.
Na representação, Erika argumenta que as declarações ultrapassam a esfera de uma ofensa individual e atingem mulheres trans e travestis de forma coletiva, ao questionar sua identidade de gênero e legitimidade enquanto mulheres.
O documento também sustenta que, por ter sido exibido em um programa de grande audiência, o discurso contribui para reforçar a discriminação e agravar a vulnerabilidade social de pessoas trans.
Caso a indenização seja aplicada, a parlamentar propõe que o valor seja destinado ao Fundo de Defesa dos Direitos Difusos, com recursos voltados a projetos e organizações que atuam na defesa dos direitos de mulheres trans e cis vítimas de violência de gênero e em situação de vulnerabilidade social.