A cantora Daniela Mercury, uma das percursoras do circuito Dodô (Barra-Ondina), falou, em entrevista coletiva nesta segunda-feira (16), sobre a possibilidade de um novo circuito em Salvador.
“Eu já cumpri a minha função esses anos todos, eu acho que todos os grandes artistas, os mais antigos, quem já se estabilizou entre um e outro, entre todos os dois circuitos, eu acho que eles devem se manter, que são importantes, históricos, a gente não pode abrir mão da história da gente. Tradição não se muda da noite pro dia. Sobre abrir novos, eu sempre acho que é preciso, também, que a população, que haja o movimento natural dos blocos encontrem saídas para o aperto, para o engarrafamento”, disse a cantora, que sugeriu a região do Comércio como possibilidade e se mostrou preocupada com a possibilidade um circuito na região de Piatã.
“Eu tenho um pouco de receio de lá, do lado de Piatã, criar uma dificuldade de mobilidade na cidade. Mas isso realmente não é a questão que eu possa decidir sozinha. Eu tô aqui dando apenas opinião de artista. Eu vou brigar pela Barra de qualquer jeito, vou brigar pela Avenida Sete. Você vai me ver deitar no chão, mas não saio daqui. Mas, em relação a expandir, acho que a cidade precisa discutir. Também os moradores querem que as pessoas achem que é bonito, que é que não incomoda, né? Eu entendo que tem que se ouvir todo mundo, porque não sou eu que decido isso. O que não pode é um grupo pequeno decidir por toda a cidade. É isso que eu acho”, pontuou.
Ela também comentou sobre a polêmica de atraso e ordem no desfile dos trios elétricos e diz que é importante uma colaboração entre os blocos. “Esse sentido de colaboração: ‘ah, eu tenho um show, preciso passar antes de você’, vá! Mas vá, vá pro seu caminho, não me atrase, não, mas vá, porque ninguém pode atrasar ninguém porque isso impacta, principalmente quem vem pro fim, é uma crueldade. Eu já fiz 11 horas de trio elétrico”, disse.
Nesta segunda, Daniela puxa a Pipoca do Crocodilo, e explica como surgiu a ideia de abaixar as cordas do bloco. “A pipoca foi uma tentativa da gente dar mais espaço, mais acesso para todo mundo. Quem começou esse movimento há mais de 20 anos fui eu. Porque eu participava de blocos, de si pra cá. Aí eu tive assim, sabe, que uma coisa eu vou pegar um dia, outro, vou conseguir patrocínio e vou sair. Fiz muitas vezes, várias vezes não ganhei a caixa, várias vezes. Adoro o bloco, acho que é uma tradição da cidade. Acho que é importante também, porque são entidades que, como escolas de samba, são representativas, pelo menos uma boa parte. Principalmente quando eles dialogam com a cidade, quando eles fazem alguma coisa importante”.
Ela também celebrou a diversidade do bloco Crocodilo atualmente. “Ontem eu estava felicíssima porque eu vi o bloco com muita gente misturada, pessoas negras, mulheres, casais, LGBT cada quanto mais diversidade, foi isso que eu quis fazer desde o começo do Crocodilo todo mundo se sentiu tão acolhido”, comentou.
Daniela comemorou o sucesso da música Terreiro, sua aposta para este Carnaval e importância social da música. “Terreiro tá no coração das pessoas, hoje ver Ivetinha cantando lá, na televisão, a turma toda com leque na mão, né? Eu tô emocionada, porque eu acho que é isso que a gente deve ser legado pra cidade, né? Mostrar que Exu não tem nada de ruim, que é Exu ganhou a cabaça do bem e do mal, misturou as duas e disse, essa responsabilidade eu não quero, então todos nós temos essa qualidade, e é assim que a gente vai pra comunidade, com a certeza de que a gente tá numa cidade preta, numa cidade de candomblé, de umbanda, de matriz africana, que a gente precisa se respeitar“.
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