Bembé do Mercado na Sapucaí: Beija-Flor leva tradição da Bahia ao Carnaval do Rio nesta segunda (16)

Bembé do Mercado na Sapucaí: Beija-Flor leva tradição da Bahia ao Carnaval do Rio nesta segunda (16)

Redação Alô Alô Bahia

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Rodrigo Ladeira/Divulgação

Publicado em 16/02/2026 às 08:45 / Leia em 5 minutos

A cultura da Bahia será protagonista na Marquês de Sapucaí nesta segunda-feira (16). A Beija-Flor de Nilópolis entra na avenida com o enredo “Candomblé de rua, Bembé do Mercado”, apostando na tradição do Recôncavo Baiano para buscar o bicampeonato no Carnaval do Rio.

De acordo com a programação oficial divulgada pela Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa), a Beija-Flor está prevista para desfilar na segunda noite do Grupo Especial, com horário estimado entre 23h e 0h, conforme a ordem oficial dos desfiles publicada pela entidade.

A escola promete ocupar o Sambódromo do Rio de Janeiro como o Bembé ocupa as ruas e casas de Santo Amaro da Purificação. Como convoca a sinopse, que apresenta o enredo, “num país que aboliu a escravidão com uma canetada, sem nenhuma reparação, ocupar é e sempre foi nossa forma de autorreparação”.

Realizado todos os anos em 13 de maio, desde 1889, o Bembé do Mercado é uma celebração de rua promovida por casas de candomblé em Santo Amaro, no Recôncavo Baiano. A manifestação surgiu quando se completou o primeiro ano da Abolição da Escravatura e transformou o espaço público em território de fé, resistência e afirmação cultural. Ao longo de mais de um século, tornou-se um símbolo da religiosidade de matriz africana no Brasil, reunindo dezenas de terreiros e centenas de participantes.

O carnavalesco João Vitor Araújo reforçou que o enredo segue a tradição da Azul e Branco de Nilópolis de contar fortes histórias para celebrar a ancestralidade preta. No ano passado, a escola foi campeã com homenagem ao carnavalesco Laíla, personalidade marcante da agremiação e do carnaval carioca, e Araújo queria manter essa conexão em 2026.

Bembé do Mercado Foto: Reprodução via Guia Negro

“Eu queria dar continuidade ao enredo do Laíla. Achava que era uma história muito grande e importante para ser finalizada na sexta alegoria ou na Quarta-Feira de Cinzas [quando são conhecidos os resultados] ou no Desfile das Campeãs [no sábado depois dos desfiles oficiais]”, revelou o carnavalesco à Agência Brasil.

Ao levar o Bembé para a avenida, a Beija-Flor contará ao público o grito que denunciou a incompletude da Lei Áurea, defendendo que liberdade também é poder se manifestar no Mercado do seu próprio jeito, na culinária, nos aromas, na dança, na música e, principalmente, na religião.

“A importância disso é trazer esses Brasis que o Brasil não conhece. É bacana quando a gente consegue emplacar um enredo autoral e vai nas entranhas desse país que tem tanta história e personagens que por anos ficaram escondidos”, disse João Vitor.

A ancestralidade do Bembé atravessa gerações. A celebração começou com o babalorixá João de Obá, enfrentando perseguições religiosas, seguiu com Pai Tidu e Mãe Lídia e, atualmente, é presidida por Pai Pote. A associação reúne 65 terreiros, além de outros 100 que também participam da manifestação.

“Eu, que estou presidente este ano da homenagem, estou muito feliz, porque [a Beija-Flor] é uma comunidade idêntica à nossa, que luta pelos objetivos da população negra, pela cultura, pela preservação da nossa essência cultural e contra a intolerância religiosa”, disse Pai Pote à Agência Brasil.

Pai pote e casal de mestre sala e porta bandeira da escola de samba | Foto: Rodrigo Ladeira/Divulgação

Para ele, embora o Bembé esteja ligado à cidade de Santo Amaro, o desfile valoriza todos os candomblés. “Fala do candomblé da Bahia, do Brasil e do mundo, porque a homenagem não é só ao Bembé, é ao povo negro, aos terreiros, aos macumbeiros. Esse termo não é pejorativo, é importante ser macumbeiro, sim”, defende.

O babalorixá acrescentou que o desfile também trará a cultura que envolve a manifestação. “A culinária afro, a manifestação de cultura popular, as necessidades das marisqueiras, farinheiras, os capoeiristas, o Negro Fugido, os feirantes”, descreveu. “Vamos vencer esta batalha, com fé em Deus, em Ogum e em todos os orixás e caboclos”.

Dividido em seis setores, cada um representando um dia de festa, o enredo começará e terminará com a cor branca e o elemento água. “O mais importante desses setores era trazer equilíbrio artístico e carnavalesco para um enredo que é muito sério e não permite vilipêndio”, apontou João Vitor.

Segundo o carnavalesco, a setorização do desfile passou por autorização espiritual. “Foi autorizada através de um jogo [de búzios] de Pai Pote, nos pés de Ogum”, contou. “É muito bom, mas, ao mesmo tempo que traz uma sensação de alívio, de estar no caminho certo, é sinal de que o trabalho está só começando. Muitas outras coisas vão acontecendo durante o processo, e não basta apenas aquele jogo”.

Além da aprovação espiritual, João Vitor destacou a adesão da comunidade. “A sinopse é muito bonita, mas, no dia do desfile, a sinopse são eles. São eles que carregam o enredo dali para frente. Quem canta o samba? São eles que estão ali com o quesito na mão”, observou.

Este ano, a escola também vive um momento simbólico após a despedida de Neguinho da Beija-Flor, que deixou o posto após 50 anos. Em 2026, os intérpretes Nino Milênio e Jéssica Martin estreiam na função.

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