O Bloco Crocodilo vai recorrer da decisão judicial que suspendeu a liminar que determinava a alteração da ordem de saída dos trios elétricos no Circuito Dodô (Barra-Ondina). Segundo o bloco, houve um rebaixamento progressivo e contínuo do bloco ao longo de quase 30 anos, e que está em desacordo com o critério de antiguidade previsto no regulamento do Carnaval.
Segundo a empresária Malu Verçosa Mercury, responsável pela gestão do bloco, o reposicionamento não ocorreu de forma pontual, mas ao longo de sucessivos anos. “O primeiro desfile do Bloco Crocodilo, em 1996, domingo, segunda e terça na Barra foi seguido por blocos alternativos que não desfilavam esses dias nesse circuito. Com o anúncio de que Daniela Mercury passaria a desfilar com o Crocodilo na Barra, os blocos Me Leva, Brother, Fecundança e Adrenalina seguiram Daniela se encaixando antes dela por determinação da gestão municipal da época. O carnaval na Barra não existia domingo, segunda e terça, reitero aqui. Com o passar dos anos, esses blocos deixaram de existir, mas o Bloco Crocodilo não foi reposicionado para o primeiro lugar, sendo sempre preterido e prejudicado nos desfiles”, argumenta
Malu destacou ainda que, apesar de tentativas de diálogo e administrativas, não houve retorno dos órgãos responsáveis. “Em 2026, antes do Carnaval, o Bloco Crocodilo enviou um ofício para o Comcar [Conselho Municipal do Carnaval] e para Saltur e não obteve resposta, mesmo com tentativa de contatos telefônicos. Diante da publicação oficial da ordem dos desfiles feita no dia 11 de fevereiro pela prefeitura, a diretoria do bloco fez diversas tentativas, sem sucesso, de contato telefônico com o Comcar e com a Saltur. Sendo necessário o último recurso disponível: a Justiça”, disse.
Ainda segundo Malu, o recurso judicial busca o reconhecimento de um direito histórico. “O objetivo principal do bloco Crocodilo, ao entrar na justiça, foi chamar a atenção para o apagamento histórico que vem acontecendo com a entidade, com as mulheres e com os pretos da cidade de Salvador. A mesma coisa aconteceu com o afro Filhos de Gandhy que perdeu o lugar na fila”, disse.
Ela citou ainda que outras entidades carnavalescas estimulam a segregação na festa. “Esse ano ainda, as entidades de blocos tentaram junto a SSP a criação de portais de acesso aos circuitos exclusivos para quem estivesse de abadá. O Bloco Crocodilo discordou do pedido, que considerou segregador e elitista. Felizmente a secretaria de segurança pública não atendeu ao pedido. O princípio de exclusão é o mesmo que mulheres e pretos sofrem no carnaval de Salvador. Temos uma festa que tem mulheres poderosas em destaque, como Daniela, Ivete, Margareth e não temos nenhum circuito homenageando nenhuma mulher. Só os homens têm destaque e reconhecimento. É preciso mudar e essa discussão chama a atenção para isso. Espero que provoquemos reflexões nas autoridades, em quem organiza o carnaval e também com o grande público”, concluiu.
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