O Carnaval de Salvador de 2026 promete ser simbólico para Daniela Mercury. A folia vai marcar os 30 anos do Circuito Barra-Ondina, trecho que mudou para sempre a configuração da maior festa de rua do mundo e que teve a cantora como principal idealizadora.
Foi em 1996 que Daniela decidiu ousar e redesenhar o mapa do Carnaval. Naquele ano, ela levou o Bloco Crocodilo, que tradicionalmente desfilava no Campo Grande, para a Barra. A mudança não foi por acaso: o circuito Osmar já enfrentava superlotação, congestionamento de trios e dificuldades de mobilidade.

Fotos: Acervo Canto da Cidade
Em uma das edições, a artista chegou a cantar por cerca de 11 horas seguidas, com o trio praticamente parado, sem previsão de deslocamento.
Na época, a Barra ainda não tinha estrutura, iluminação ou atenção da mídia. O espaço era ocupado, majoritariamente, por blocos menores e desfiles mais improvisados. A chegada do Crocodilo marcou um divisor de águas: foi o primeiro grande bloco a migrar para a região, consolidando a Barra-Ondina como um novo circuito oficial do Carnaval de Salvador.

Fotos: Acervo Canto da Cidade
No mesmo movimento de inovação, Daniela Mercury também foi pioneira ao criar, naquele mesmo ano, o primeiro camarote do Carnaval de Salvador. Inspirado em formatos vistos apenas na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, o Camarote Daniela Mercury passou a receber artistas, jornalistas, empresários e personalidades interessadas em vivenciar de perto a folia baiana.

Fotos: Acervo Canto da Cidade
Tema do Carnaval: Mulher de Poder
Neste ano, as mulheres estarão no centro das histórias contadas no Carnaval da Rainha. Com o tema “Mulher de Poder”, Daniela vai homenagear a potência do feminino, sobretudo as Mulheres de Axé e as sambistas, que ainda são muito invisibilizadas dentro do samba, gênero musical que em 2026 completa 110 anos de existência.
Além disso, a artista aposta na faixa “É Terreiro” como a música do carnaval. Rítmica e profunda, a música escrita por Vini Mendes conta com a fusão das vozes marcantes de Daniela e Alcione. A música fala sobre a força das mulheres e do sagrado feminino a partir da entidade Maria Padilha, uma das pomba giras mais conhecidas das religiões de matriz africana, associada à força, liberdade e abertura de caminhos.
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