A produção de etanol de milho no Brasil deve atingir 10 bilhões de litros ao fim do atual ano-safra, segundo estimativa da União Nacional do Etanol de Milho. O volume representa cerca de um terço de todo o mercado nacional.
De acordo com o presidente da entidade, Guilherme Nolasco, o segmento tem registrado crescimento acelerado nos últimos anos, sendo um dos que mais tem avançado dentro da matriz de biocombustíveis no país. “Nos últimos oito anos, o etanol de milho avançou a taxas superiores a 30% ao ano”, afirmou em entrevista ao CNN Agro.
Para a próxima safra, que começa em abril, a projeção preliminar indica expansão de aproximadamente 20%, o que pode elevar a produção para cerca de 12 bilhões de litros.
Com a ampliação da oferta, o setor busca novos mercados consumidores. Segundo a Unem, na safra 2026/2027, a produção nacional de etanol poderá superar 40 bilhões de litros, com divisão equilibrada entre milho e cana-de-açúcar. O crescimento pode adicionar entre 10% e 12% de oferta ao mercado em um único ciclo.
“O consumo cresce cerca de 2%, enquanto a oferta pode avançar mais de 10%. Isso exige responsabilidade”, disse Nolasco. Entre as estratégias para absorver o volume adicional estão a ampliação do consumo interno, a substituição da gasolina em mercados consolidados e o desenvolvimento de aplicações no exterior.
Atualmente, os estados São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná e Minas Gerais estão entre os principais estados consumidores e produtores de etanol hidratado. Em outras regiões, os preços mais elevados limitam a demanda.
O país conta hoje com 25 biorrefinarias em operação, número que deve chegar a cerca de 33 unidades até o fim de 2026. Segundo a Unem, o Brasil tem potencial para dobrar a produção de etanol de milho até 2032, alcançando aproximadamente 20 bilhões de litros, desde que haja expansão da demanda.
Além do mercado doméstico, o setor aposta no uso do etanol para combustível sustentável de aviação (SAF), transporte marítimo e exportações. “O potencial é grande, mas o crescimento precisa ser sustentável”, afirmou Nolasco.