A sexta-feira, dia celebrado semanalmente por Henrique Maderite como um ritual de alegria, tornou-se a data de sua despedida. O influenciador e empresário, encontrado morto nesta sexta (6) em Ouro Preto, construiu uma trajetória digital baseada no humor, na boemia e na identificação direta com o trabalhador que anseia pelo fim de semana.
Nascido em Belo Horizonte como Henrique Costa Ferreira, Maderite era empresário do ramo da construção civil. A fama na internet surgiu de forma acidental, a partir de encontros com amigos em Nova Lima, na região metropolitana da capital.
Ele costumava gravar vídeos durante almoços de sexta-feira para provocar os colegas ausentes, enviando as imagens em grupos de mensagens. O conteúdo vazou, viralizou e o transformou em uma celebridade digital. O bordão “Sexta-feira, papai, pode olhar aí, meio-dia, quem fez, fez” virou sua assinatura.
Com carisma e uma linguagem popular, ele acumulou mais de 2 milhões de seguidores, que esperavam pontualmente pelas publicações semanais para decretar o início do descanso.
O último vídeo de Maderite foi publicado justamente ao meio-dia desta sexta-feira, mantendo a tradição até o fim.
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De hobby a empreendimento
O sucesso espontâneo logo se converteu em business. O ponto de virada ocorreu quando uma cervejaria propôs patrocinar os encontros do grupo em troca de exposição nos vídeos. Maderite percebeu o potencial comercial da marca “Sextou” e profissionalizou a operação.
O que era diversão virou uma estrutura com equipe de funcionários, site oficial, venda de produtos e dezenas de contratos publicitários fixos e pontuais.
Além do viés humorístico e comercial, o influenciador utilizava o alcance de suas plataformas para ações de solidariedade.
Maderite ficou conhecido por engajar sua base de fãs em campanhas para ajudar pessoas em situações de vulnerabilidade, adicionando uma camada social à sua figura pública.