Forrozeiros querem 50% das atrações juninas com artistas baianos e levam proposta à UPB

Forrozeiros querem 50% das atrações juninas com artistas baianos e levam proposta à UPB

Redação Alô Alô Bahia

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José Mion/Alô Alô Bahia

Divulgação

Publicado em 06/02/2026 às 09:38 / Leia em 3 minutos

Mesmo antes de o Carnaval tomar oficialmente as ruas, os bastidores da cultura popular baiana já começam a se movimentar em direção ao São João. Foi nesse clima de antecipação que mais de 50 forrozeiros de diferentes regiões da Bahia se reuniram, nesta quinta-feira (5), em Salvador, com a União dos Municípios da Bahia (UPB), para defender o protagonismo do forró nas programações dos festejos juninos promovidos pelos municípios.

O encontro aconteceu na sede da UPB e teve como pauta central a valorização dos artistas baianos no São João. Representando o movimento, o músico e produtor cultural Carlos Mateus e a produtora Alessandra Gramacho atuaram como porta-vozes dos forrozeiros e apresentaram uma proposta de Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) voltada à regulamentação e fortalecimento da presença local nas festas juninas.

A iniciativa propõe que pelo menos 50% das atrações contratadas para os festejos sejam de artistas da Bahia, com aplicação do mesmo percentual sobre o volume de recursos investidos. O documento também sugere medidas de transparência, desburocratização dos processos de contratação e critérios mais acessíveis para artistas em início de carreira.

Durante a reunião, o cantor e compositor Del Feliz destacou o caráter histórico do diálogo com a entidade municipalista e lembrou que a reivindicação é antiga dentro do segmento. “Essa luta vem da tentativa de implementação da Lei da Zabumba, para que parte dos recursos públicos seja destinada à autenticidade das festas culturais, especialmente o São João, valorizando os artistas regionais”, afirmou.

O cantor Genard Melo reforçou a importância de garantir espaço efetivo para o forró nas festas juninas, especialmente diante da escassez de oportunidades ao longo do ano. “As bandas de forró quase não tocam em outros eventos como festas de padroeiro, Carnaval e aniversário de cidades. Por isso, é essencial lutar pelo espaço que é nosso por direito, que é cultural, tradicional e está no coração do povo”, disse.

O presidente da UPB, Wilson Cardoso, avaliou o encontro como positivo e sinalizou abertura para o avanço das propostas apresentadas. “Existe um sentimento crescente entre prefeitos e prefeitas de que é preciso valorizar o forró e a cultura regional”, afirmou. Segundo ele, a entidade vai acionar o setor jurídico para estudar alternativas legais que facilitem a contratação de forrozeiros, especialmente os que estão no início da carreira. “Do jeito que está, muitas vezes se tira a oportunidade do primeiro emprego cultural desses artistas”, destacou.

Entre os encaminhamentos debatidos estão a possibilidade de estabelecer percentuais mínimos de recursos destinados à contratação de artistas locais, a simplificação de processos para pagamentos de cachês de menor valor e o acompanhamento das medidas por órgãos de controle, como o Ministério Público e os tribunais de contas.

A proposta de TAC apresentada defende que os festejos juninos, reconhecidos como patrimônio cultural imaterial, sejam também instrumentos de fortalecimento da economia criativa, geração de emprego e preservação das tradições populares. O documento será discutido com prefeituras, órgãos de controle e o Governo do Estado, com a meta de construir uma pactuação institucional para os próximos ciclos do São João na Bahia.

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