O crescimento acelerado dos medicamentos à base de GLP-1, como Ozempic e similares, transformou o mercado global de emagrecimento nos últimos anos. Em 2018, o setor movimentava cerca de US$ 280 milhões. Em 2024, esse número saltou para US$ 26 bilhões. Nos Estados Unidos, aproximadamente 18% dos adultos já utilizaram algum desses produtos.
Apesar da popularização, um ponto crucial ainda gera desconforto e pouco debate: o que acontece com o corpo quando o tratamento é interrompido?
Um estudo recente publicado no British Medical Journal lança luz sobre essa questão. Segundo a pesquisa, pessoas que deixam de usar medicamentos de GLP-1 tendem a recuperar, em média, quatro vezes mais peso do que aquelas que emagreceram por meio de mudanças sustentáveis no estilo de vida, como alimentação equilibrada e atividade física.
Os números ajudam a dimensionar o impacto. Em um período de aproximadamente um ano e meio após a interrupção do uso, os pacientes recuperaram cerca de 9,5 kg dos 14,5 kg que haviam perdido durante o tratamento.
O dado ganha ainda mais relevância diante de outro fator: estima-se que mais da metade dos usuários abandona o uso de Ozempic ou medicamentos semelhantes em menos de um ano. Entre os principais motivos estão dificuldades de adesão ao tratamento, efeitos colaterais e, principalmente, o alto custo, que limita o uso contínuo.
Além do retorno do peso, o estudo aponta que o reganho pode reativar mecanismos metabólicos associados à obesidade, como resistência à insulina, retenção de sódio e processos inflamatórios crônicos. Na prática, isso significa que o organismo pode entrar em um ciclo desfavorável, dificultando ainda mais o controle do peso no futuro.
Especialistas alertam que, sem acompanhamento médico e estratégias de longo prazo, o uso seguido da interrupção dos medicamentos de GLP-1 pode gerar um efeito cascata no metabolismo, produzindo resultados opostos ao objetivo inicial de emagrecimento.