Anvisa aprova uso da semaglutida para reduzir risco de infarto e AVC

Anvisa aprova uso da semaglutida para reduzir risco de infarto e AVC

Redação Alô Alô Bahia

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José Mion/Alô Alô Bahia com informações do g1

Reprodução/Getty Images via GE

Publicado em 03/02/2026 às 06:45 / Leia em 4 minutos

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, nesta segunda-feira (2), o uso da semaglutida para a redução do risco de eventos cardiovasculares. A substância é o princípio ativo de medicamentos como Ozempic e Wegovy, que ganharam popularidade pela eficácia na perda de peso, mas foram originalmente desenvolvidos para o tratamento do diabetes tipo 2.

Segundo a Anvisa, o Wegovy passa a ser indicado para diminuir o risco de problemas cardiovasculares, como infarto e AVC, em adultos com doença cardiovascular estabelecida e com obesidade ou sobrepeso. A agência afirma que os estudos apresentados mostram que, “quando acompanhada de dieta hipocalórica e aumento da atividade física, a semaglutida reduziu significativamente a ocorrência desses eventos”. O alerta se dá em um cenário preocupante, em que estima-se que, a cada ano, 400 mil brasileiros morram em decorrência de infarto ou AVC.

A indicação do Ozempic também foi ampliada. O medicamento agora pode ser utilizado no tratamento de pessoas com diabetes tipo 2 e doença renal crônica. De acordo com a Anvisa, “de acordo com estudo apresentado pelo fabricante, o uso do medicamento, em conjunto com a terapia padrão da doença, reduziu de maneira relevante a progressão da insuficiência renal e as mortes causadas por eventos cardiovasculares adversos maiores”.

A decisão da agência brasileira ocorre em meio à divulgação de novos dados científicos sobre os efeitos da semaglutida além da perda de peso. Uma nova análise do estudo SELECT, o maior ensaio clínico já realizado sobre benefícios cardiovasculares da substância, publicada na revista científica The Lancet em 2025, mostrou que a redução do risco cardíaco ocorre independentemente da quantidade de peso perdida.

Para Mette Thomsen, vice-presidente sênior da área médica global da Novo Nordisk, fabricante do medicamento, há fatores adicionais envolvidos na proteção cardiovascular proporcionada pela semaglutida. “Não há uma relação direta entre o grau de perda de peso e a magnitude da redução do risco cardiovascular. Isso reforça a hipótese, que também discutimos no artigo, de que há algo além da perda de peso envolvido”, explica, em entrevista ao g1.

Publicações anteriores do SELECT já indicavam uma redução de até 20% nos eventos cardiovasculares em pacientes com obesidade e doença cardiovascular estabelecida, mesmo sem diabetes. A novidade desta análise é a constatação de que esse benefício não está necessariamente ligado à quantidade de peso eliminada. Por outro lado, o estudo observou que a redução da circunferência abdominal, um marcador de diminuição da gordura visceral, esteve associada a melhores desfechos para a saúde do coração.

O SELECT acompanhou mais de 17 mil adultos com doença cardiovascular e índice de massa corporal (IMC) igual ou superior a 27, comparando o uso da semaglutida com um placebo. Embora os resultados confirmem a proteção cardíaca, os pesquisadores ainda não identificaram com precisão o mecanismo responsável por esse efeito.

Dentro do estudo, foi analisada a proporção da redução do risco cardiovascular atribuída à perda de peso. Observou-se uma diminuição média de 4% no risco a cada 5 quilos perdidos e 5 centímetros a menos na circunferência da cintura. Ainda assim, entre pacientes que emagreceram, a incidência de eventos cardiovasculares foi semelhante, independentemente de terem reduzido 5% ou mais do peso corporal. “[Isso mostra que] a perda de peso não explica tudo no caso da semaglutida. Então, minha hipótese é que existe algo único nessa molécula”, afirma a VP, que aponta os possíveis efeitos anti-inflamatórios do medicamento como um dos fatores envolvidos.

Além dos benefícios cardiovasculares e metabólicos, a Novo Nordisk também conduz estudos que indicam efeitos positivos da semaglutida sobre a saúde do fígado. Pesquisas recentes mostram redução significativa da gordura hepática e da inflamação associada à condição. Em um dos estudos, após 72 semanas de tratamento, 63% dos participantes apresentaram melhora na inflamação do fígado.

Nos Estados Unidos, o medicamento já é aprovado para o tratamento de doenças hepáticas graves. No Brasil, a farmacêutica aguarda validação da Anvisa para essa indicação. Embora a presença de gordura no fígado seja considerada comum, quando ultrapassa 5% do órgão, o quadro exige atenção médica. Sem tratamento adequado, a condição pode evoluir para inflamação crônica, hepatite gordurosa, cirrose e até câncer hepático.

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