Quase um ano após o desabamento que matou a turista paulista Giulia Panchoni Righetto, de apenas 26 anos, a Igreja de São Francisco de Assis, no Centro Histórico de Salvador, segue fechada e sem previsão de reabertura, enquanto as obras emergenciais de estabilização estrutural continuam em andamento sob responsabilidade do Iphan. O aniversário de um ano da tragédia, no próximo dia 5 de fevereiro, será marcado por uma manifestação pública convocada pelo escritor, jornalista e agitador cultural Clarindo Silva, às 10h, em frente ao templo.
O ato pretende homenagear a jovem, morta após o desabamento de parte do teto da igreja conhecida como “Igreja de Ouro”, e também chamar atenção para a situação do patrimônio histórico e para os impactos do fechamento prolongado do equipamento cultural no cotidiano do Pelourinho.
Durante a manifestação, em que será colocada uma coroa de flores em frente à igreja, Clarindo Silva estará acompanhado por representantes do Sindicato dos Guias de Turismo do Estado da Bahia, da Acopelô (Associação Comercial Pelourinho), da Ache (Associação Centro Histórico Empreendedor), do Montepio dos Artistas, da Sociedade Protetora dos Desvalidos e por artistas que atuam no Centro Histórico.

Figura emblemática do Centro Histórico, Clarindo Silva prevê manifestação | Foto: Divulgação
Desde o acidente, o local permanece interditado para visitação. O Iphan montou uma força-tarefa técnica e iniciou intervenções emergenciais voltadas à estabilização da cobertura e do forro, consideradas etapas indispensáveis para evitar novos colapsos antes de uma restauração mais ampla. As obras, que chegaram a ser previstas para o fim de 2025, foram prorrogadas e devem se estender até fevereiro de 2026, segundo informações mais recentes divulgadas pelo instituto. Ainda não há um cronograma oficial para a recuperação completa do templo nem para a retomada do acesso do público.
Na última terça-feira (27), representantes do Ministério Público da Bahia (MPBA), do Ministério da Cultura e do Iphan se reuniram na sede do instituto para discutir o projeto de restauração da Igreja e Convento de São Francisco, estruturas entre os mais importantes patrimônios históricos e artísticos do país. Ao Alô Alô Bahia, no entanto, o Iphan não respondeu sobre prazos mais concretos para entregas de etapas das obras e reabertura ao público.
Para Clarindo Silva, a mobilização tem caráter simbólico, mas também político e social. “Convoco as diversas entidades, o Centro Histórico e toda a sociedade a participarem deste momento, que é, acima de tudo, um gesto de solidariedade e um apelo coletivo. É hora de unirmos forças para que o Centro Histórico volte forte, vivo e pulsante. Centro Histórico, preservar para perpetuar”, afirmou.