O setor de energias renováveis da Bahia ganha novo impulso com o contrato firmado entre a EDF Renewables e a Goldwind, acordo que consolida o estado como um dos principais polos da cadeia eólica no Brasil. A parceria foi oficializada nesta terça-feira (27), durante solenidade realizada na sede da Goldwind, em Camaçari, com a presença do governador Jerônimo Rodrigues, e marca a retomada da Fábrica de Torres de Aço no município de Jacobina, além do anúncio do primeiro projeto de armazenamento de energia em baterias (BESS) integrado a aerogeradores no estado.
A reativação da unidade fabril em Jacobina representa impacto direto na economia regional, com a volta da cadeia produtiva ligada à fabricação de componentes eólicos e a ampliação das oportunidades de emprego. A iniciativa integra um conjunto de investimentos estruturantes que reforçam a posição da Bahia como referência nacional na produção de energia limpa e no fortalecimento da transição energética.
Durante o anúncio, o governador Jerônimo Rodrigues destacou a relevância dos investimentos para o futuro energético do estado. Segundo ele, a atração de grandes projetos no setor de renováveis fortalece a economia baiana, promove a geração de empregos qualificados e contribui para o desenvolvimento sustentável. “Agora, precisamos garantir que essa energia produzida no nosso semiárido possa ser usada pela indústria no próprio semiárido. A geração de energia renovável, de energia limpa do sol e do vento, garante que a Bahia seja produtora de hidrogênio verde”, afirmou, ao lado do vice-governador Geraldo Júnior.
O secretário de Desenvolvimento Econômico, Ângelo Almeida, ressaltou que a retomada da fábrica de torres e a ampliação dos investimentos no setor eólico demonstram a capacidade da Bahia de atrair projetos estruturantes, com efeitos positivos sobre a indústria, a inovação e a competitividade regional. “Esta cadeia que interage agora mostra para o mundo que aqui nós temos um bom ambiente, um bom ecossistema para atrair esses investimentos, nos mais diversos segmentos, desde datacenter até fábrica de baterias”, pontuou.
O projeto conta com incentivos fiscais formalizados em protocolo de intenções assinado entre a Goldwind e o Governo da Bahia em março de 2023 e prevê ainda a implantação de um parque de fornecedores de componentes eólicos, com pelo menos seis empresas do setor, entre elas a Sinoma, já instalada no estado.
Além da retomada industrial, o acordo também marca um avanço tecnológico inédito. A Goldwind anunciou parceria com o SENAI Cimatec para a implantação do primeiro projeto de Sistema de Armazenamento de Energia em Baterias (BESS) integrado a um aerogerador da empresa. A iniciativa será instalada no município de Tanque Novo e representa um marco para o setor elétrico ao associar geração e armazenamento de energia renovável em um mesmo sistema. “A reativação dessa fábrica com o produto de alta tecnologia que compõe os maiores aerogeradores fabricados no hemisfério sul é motivo de alegria para toda comunidade científica, é uma parceria extremamente importante”, disse o diretor de Tecnologia e Inovação do SENAI Cimatec, Luis Breda.
A presença da Goldwind na Bahia também inclui a unidade industrial inaugurada em Camaçari, em agosto de 2024, primeira fábrica de aerogeradores da companhia fora da China. A escolha do estado ocorreu após disputa com o Ceará, motivada pelas melhores condições oferecidas para a instalação do empreendimento. Com investimento de R$ 150 milhões, a planta tem capacidade de produzir até 150 aerogeradores por ano, com potência entre 6,2 e 8,3 MW, acima do padrão atualmente fabricado no país. A expectativa é alcançar participação de 25% a 30% no mercado brasileiro de turbinas eólicas, com a geração de cerca de 250 empregos diretos e 750 indiretos.