A jornalista Maria Prata, de 46 anos, usou as redes sociais para relatar um assalto sofrido na noite de ontem, em São Paulo. Ela estava acompanhada da filha caçula, Dora, de cinco anos, quando foi abordada por um homem armado. O momento foi registrado por uma câmera de segurança e o vídeo foi publicado por ela.
No relato, Maria descreveu o impacto de se ver em uma situação que, segundo ela, costuma aparecer com frequência nas redes sociais. “Hoje foi comigo. Essa imagem sem som que vemos repetidamente no feed: uma câmera de segurança, um motoqueiro de capacete e mochila de entregas, uma arma, alguém sendo assaltado na rua. Agora esse alguém era eu. Com minha caçula colada em mim. E com som, que não sai da minha cabeça”, escreveu.
A jornalista ressaltou que não estava usando o celular nem agindo de forma imprudente. Segundo ela, o assalto aconteceu após estacionar o carro em uma rua residencial da Lapa, na Zona Oeste da capital paulista, a cerca de 20 metros do destino. “Não estava com celular na mão. Não estava ‘dando bobeira’ num ‘lugar perigoso’. Estacionei o carro em uma rua residencial (fofa, de casinhas geminadas, na Lapa) e estava andando 20m até a casa para onde íamos”, relatou.
Maria detalhou a ação do assaltante, que exigiu o telefone e a senha do aparelho, além de revirar sua bolsa. “Não se mexe, entrega tudo, cadê o iPhone?” “Tá na bolsa. Eu tô com uma criança, fica calmo, pode levar tudo” “Mamãe, por que você tá tirando sua aliança?” “Qual a senha do iPhone? A senha do iPhone!” Ela contou que o homem ficou nervoso ao tentar desbloquear o aparelho e chegou a revistá-la. “Repete! A senha!!” “Eu abro o celular pra você!” “A senha!! Você é polícia?!” Segundo a jornalista, após conseguir acessar o telefone, ele levou cartões e fugiu.
A filha não chegou a ver a arma e não compreendeu de imediato o que estava acontecendo. “Dora não viu a arma, não entendeu o que tava acontecendo por um motivo óbvio: ela sequer sabe que isso acontece”, afirmou.
Após o crime, mãe e filha foram acolhidas por amigos que estavam na casa para onde iam. Maria contou que entregou a menina ao marido, Pedro Bial, e só então conseguiu desabar. “Entreguei Dora pro Pedro, que estava lá, e desabei longe dela. Só ali, pelas conversas, caras e perguntas, ela sentiu o baque. Chorou, ficou com medo, ‘quero ir pra casa, mamãe’”, escreveu. A polícia foi acionada, houve registro da ocorrência e, segundo ela, horas foram gastas em telefonemas e cancelamentos.
No dia seguinte, a criança seguiu falando sobre o episódio e tentando entender o que havia acontecido. “Dora passou o dia falando sobre isso, processando, perguntando, querendo entender o que foi aquilo, quem era aquele cara, por que ele queria o telefone, a senha, a aliança, por que isso acontece.”
Na madrugada, Maria relatou a dificuldade para dormir e o impacto emocional do episódio. “São 4h da manhã, não consigo dormir. Minha cabeça é um replay sem fim de áudios e imagens de uma situação que ninguém deveria passar na vida. Nem eu, nem a Dora, nem aquele cara”, escreveu.
Apesar do trauma, ela afirmou que ambas estão bem e refletiu sobre a gravidade da situação. “Estamos bem, têm coisas muito piores, o pesadelo poderia ser outro. Mas a vida é mesmo um sopro. Um movimento errado e o desfecho poderia ser outro, como já foi com tanta gente.”
A jornalista também lembrou que vinha passando as férias com a família, mostrando às filhas aspectos positivos do país. “Passamos as férias dedicados a mostrar para nossas filhas o Brasil mais sensacional que há. Hoje, o pior do Brasil nos atropelou”, disse. Ao final do relato, agradeceu aos amigos pelo apoio e concluiu: “Em frente. Estamos vivas.”