Com “O agente secreto”, o Brasil igualou o recorde histórico de “Cidade de Deus” no Oscar ao alcançar quatro indicações na mesma edição da premiação. O feito ganha ainda mais relevância porque o país aparece, pela primeira vez, em uma categoria inédita: direção de elenco, incorporada oficialmente à disputa após aprovação em 2024.
O indicado é Gabriel Domingues, responsável pela escalação dos atores do longa dirigido por Kléber Mendonça Filho. Em comunicado oficial, ele celebrou a indicação e destacou o caráter coletivo do trabalho. “Estou muito orgulhoso. Acho que o filme é muito representativo dessa vontade do Brasil de se ver em sua potência e sua complexidade. Temos atores incríveis, em diferentes estágios da carreira, de diferentes origens e diferentes formações”, afirmou. Segundo ele, o conjunto de personagens e intérpretes reflete “a força do Brasil” e “o que o país tem de melhor: as pessoas”.
A parceria entre Gabriel Domingues e Kléber Mendonça Filho é antiga. Ele iniciou sua trajetória nos longas “Aquarius” e “Bacurau” como auxiliar de produção de elenco e, em “O agente secreto”, assumiu pela primeira vez a direção de elenco. Wagner Moura, indicado ao Oscar de Melhor Ator pelo mesmo filme, já havia sido convidado diretamente pelo diretor. Coube a Gabriel, então, definir o restante do elenco.
Em entrevista à revista “Indiewire”, em dezembro do ano passado, o diretor de elenco explicou o critério adotado para a escolha dos atores. “Kléber queria criar um universo muito fiel à atmosfera e à energia dos anos 1970. Isso significava encontrar certos rostos que parecessem ter existido em 1978”, disse. Ele destacou ainda que o contexto social da época influenciou diretamente o processo. “Nos anos 1970, o Brasil tinha ainda mais desigualdade social do que hoje. Por isso, era importante encontrar pessoas que aparentassem ser os tipos específicos de indivíduos que estariam trabalhando em cada função naquela época”.
Além de nomes já consagrados, como Gabriel Leone e Alice Carvalho, o filme abriu espaço para artistas em início de carreira. “Tínhamos grandes estrelas de cinema e pessoas em seus primeiros trabalhos. O principal critério que tínhamos, além de serem bons atores, era que fossem pessoas agradáveis de se trabalhar. Você quer gente com boa alma, que alimente a energia do filme. Essa é uma das complexidades do casting”, afirmou Gabriel.
Fora de “O agente secreto”, Gabriel Domingues acumula outros trabalhos de destaque como diretor de elenco. Ele foi responsável pela escalação da série “Cangaço Novo”, sucesso do Prime Video em 2023, da continuação “Cidade de Deus: a luta não para”, da HBO Max, e da produção “Notícias Populares”, exibida pelo Canal Brasil no mesmo ano.
No cinema, assinou o elenco de “O último azul”, filme premiado em festivais internacionais e protagonizado por Rodrigo Santoro. Atualmente, também participa da seleção de atores para o longa biográfico sobre a cantora Cássia Eller.
Além da atuação como diretor de elenco, Gabriel Domingues trabalha como roteirista. Ele assinou os roteiros dos filmes “Baby” e “Corpo elétrico”, ambos dirigidos por Marcelo Caetano.