O papa Leão XIV está entre os líderes mundiais convidados pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a integrar o recém-criado Conselho da Paz na Faixa de Gaza. A informação foi confirmada nesta quarta-feira (22) pelo cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano e principal autoridade diplomática da Santa Sé.
Segundo Parolin, o convite foi recebido e está em análise. Ele afirmou que a decisão exige tempo e reflexão, levando em conta tanto o formato do novo órgão quanto suas implicações diplomáticas. “O papa recebeu um convite, e estamos analisando o que fazer. Acredito que será algo que exigirá um pouco de tempo para reflexão antes de darmos uma resposta”, declarou.
Primeiro pontífice nascido nos Estados Unidos, Leão XIV mantém desde sua eleição, em maio do ano passado, uma postura diplomática firme e discreta. Apesar de divergências com algumas políticas do republicano, o papa tem se pronunciado de forma constante sobre a crise humanitária em Gaza, inclusive em um sermão na véspera de Natal.
Anunciado inicialmente como um mecanismo para buscar o fim do conflito na Faixa de Gaza, o Conselho da Paz teve seu escopo ampliado por Trump, que passou a defendê-lo como um fórum internacional para a mediação de conflitos globais. Israel e Egito já aceitaram o convite, enquanto outros países demonstraram cautela. Internamente, parte da comunidade diplomática vê o órgão como uma espécie de “ONU paralela”.
A proposta prevê um mandato inicial de três anos, com cerca de 60 países participantes e a formação de um grupo de membros permanentes. Para integrar esse núcleo, os países precisariam contribuir com uma taxa de US$ 1 bilhão logo no primeiro ano, com os recursos sob controle da Casa Branca. O plano também estabelece que Trump presidiria o conselho com mandato vitalício.
Até o momento, cerca de 50 países e a União Europeia confirmaram o recebimento do convite, mas apenas Argentina, Hungria e Marrocos formalizaram a adesão. Outros líderes, como o presidente francês Emmanuel Macron, descartaram a participação, citando dúvidas sobre a legitimidade e o alcance do organismo.
Além do papa, diversos chefes de Estado foram convidados, entre eles o presidente russo, Vladimir Putin, cuja adesão segue sob análise, segundo o Kremlin. O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva também recebeu o convite, mas ainda não anunciou se participará. Trump afirmou que o petista teria um papel relevante dentro do conselho.