Em um debate potente ao lado de nomes como Fred Nicácio, Elisa Lucinda e Ivone Caetano, o ator baiano Lucas Leto usou sua participação no programa “Sem Censura”, da TV Brasil, para expor as feridas e até contradições da capital baiana.
O artista, que esteve no ar recentemente no remake de “Vale Tudo” (2025), destacou que o título de “cidade mais negra fora da África” não blinda seus moradores da violência racial e estrutural.
Leto compartilhou sua jornada pessoal de letramento racial, revelando que, por ter a pele clara, demorou a se reconhecer como um homem negro. A virada de chave só ocorreu através da arte, quando integrou o histórico Bando de Teatro Olodum.
“A falta de letramento racial pega todo mundo de uma maneira tão forte que, mesmo sendo de uma cidade muito preta, eu por muito tempo não sabia que era preto. Foi só no Bando, e por isso é tão importante ter políticas públicas, que fui entender que meu cabelo era crespo mesmo, que meu nariz era maior e que minha descendência era essa”, desabafou.
O ator foi incisivo ao analisar a dinâmica de poder em Salvador. Para ele, a demografia da cidade não se reflete nas cadeiras de comando, citando o controle da mídia e da política por famílias tradicionais brancas e o fato de a capital nunca ter elegido um prefeito negro.
“Salvador, mesmo sendo muito preta, ainda é muito racista. Existem famílias que ainda comandam a cidade, os meios de comunicação, e todos eles são brancos”, pontuou Leto, lembrando ainda o atraso na representatividade legislativa: a primeira deputada estadual negra da Bahia só foi eleita em 2023. “Como assim, gente?”, questionou.
Ao finalizar sua reflexão, Lucas Leto ressaltou que o racismo é um sistema que opera independente do ambiente, alcançando a todos.
“Essa risada em uníssono que nós demos é porque nada blinda a gente do racismo. Nem você estar cercado de pessoas negras. O racismo vai te hackear, ele vai te achar, ele não vai ter pena. Ele vai ser cruel, ele vai te marcar”, concluiu.
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