Fim de uma era! Orelhões serão retirados definitivamente das ruas do Brasil

Fim de uma era! Orelhões serão retirados definitivamente das ruas do Brasil

Redação Alô Alô Bahia

redacao@aloalobahia.com

Tiago Mascarenhas

Sebastião Nogueira

Publicado em 20/01/2026 às 08:53 / Leia em 3 minutos

O ano de 2026 decreta oficialmente a aposentadoria de um dos maiores símbolos urbanos do país. A partir deste mês de janeiro, os orelhões, que durante décadas foram a principal via de comunicação dos brasileiros, começarão a ser retirados das ruas de forma definitiva.

A decisão marca o encerramento de um ciclo tecnológico e cultural, impulsionado pela onipresença dos smartphones.

A remoção em massa ocorre porque as concessões de telefonia fixa das cinco grandes operadoras (Algar, Claro, Oi, Sercomtel e Telefonica) chegaram ao fim no ano passado. Com isso, essas empresas deixaram de ter a obrigação legal de manter a infraestrutura dos telefones de uso público, que hoje se encontram, em sua maioria, obsoletos ou vandalizados.

Segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), a extinção não será imediata apenas em localidades isoladas. Cidades que ainda não possuem cobertura de rede móvel (celular) manterão seus orelhões funcionando, no máximo, até 2028.

Como contrapartida, a Anatel determinou que os recursos antes gastos na manutenção desses aparelhos sejam redirecionados para a expansão da banda larga e da telefonia móvel.

A limpeza das ruas impactará diretamente o estado. Dados da Anatel indicam que a Bahia possui atualmente 1.569 orelhões. Deste total, 1.019 ainda constam como ativos, enquanto 550 estão em manutenção.

A redução já vinha ocorrendo de forma gradual nos últimos anos. Para se ter uma ideia do desuso, em 2020 o Brasil contava com cerca de 202 mil aparelhos. Hoje, restam apenas 38 mil em todo o território nacional.

Símbolo nacional

Muito antes dos aplicativos de mensagem, era dentro da cabine oval que a vida acontecia. O orelhão foi palco de namoros, notícias urgentes e do clássico suspense ao ouvir a “chamada a cobrar”.

A expressão “cair a ficha”, usada até hoje para quando alguém compreende algo tardiamente, nasceu ali, do barulho mecânico que o aparelho fazia ao completar a ligação.

O design icônico é uma invenção nacional. Criado em 1971 pela arquiteta sino-brasileira Chu Ming Silveira, o modelo (batizado inicialmente de Chu I e Tulipa) foi revolucionário não apenas pela estética, mas pela acústica.

Foto: Divulgação

O formato de concha protegia o usuário do barulho da rua e projetava a voz, garantindo privacidade em plena calçada. O sucesso foi tanto que o modelo brasileiro foi exportado para países como China, Peru, Angola e Moçambique.

Curiosamente, no momento de sua despedida, o orelhão voltou a ganhar destaque na cultura pop. O aparelho estampa o cartaz oficial de “O Agente Secreto”, filme protagonizado por Wagner Moura que venceu o Globo de Ouro e representa o Brasil na corrida pelo Oscar 2026.

Na imagem, o personagem Marcelo aparece utilizando o telefone público, um lembrete visual de uma época em que a comunicação dependia de moedas, fichas e cartões. Quem lembra?

Foto: Divulgação

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