Apesar de reunir milhões de pessoas e ser um dos maiores símbolos da identidade baiana, o dia do Senhor do Bonfim não é feriado em Salvador. A Lavagem do Bonfim, que neste ano acontece nesta quinta-feira (15), costuma gerar dúvida entre moradores e visitantes, já que muitos acreditam que a data garante folga no calendário oficial da cidade.
A explicação está na legislação federal. A lei nº 9.093, de 1995, estabelece que cada município brasileiro pode criar, no máximo, quatro feriados religiosos. Em Salvador, esse limite já foi atingido com datas tradicionais do calendário católico: Paixão de Cristo (Sexta-feira Santa), Corpus Christi, Dia de São João e Dia de Nossa Senhora da Conceição da Praia. Por isso, outras celebrações de grande relevância cultural e religiosa, como a Lavagem do Bonfim e o Dia de Iemanjá, em 2 de fevereiro, não podem ser incluídas oficialmente como feriado municipal.
Celebrada sempre na segunda quinta-feira após o Dia de Reis, em 6 de janeiro, a Lavagem do Bonfim é uma data móvel. No ano passado, o evento reuniu mais de 1 milhão de pessoas. A programação começa no Comércio, em frente à Igreja da Conceição da Praia, com a realização de um Culto Ecumênico. De lá, fiéis, baianas, moradores e turistas seguem em caminhada por cerca de 8 quilômetros até a Igreja de Nosso Senhor do Bonfim, na Colina Sagrada.
Ao longo do percurso, diversos cortejos acompanham a multidão. Um dos momentos mais emblemáticos acontece na chegada à igreja, quando as baianas realizam a tradicional lavagem da escadaria. Também faz parte do ritual amarrar fitinhas no gradil do templo e fazer pedidos. A celebração se estende ao longo do dia, com grupos que seguem festejando em barcos, escunas e lanchas pela Baía de Todos-os-Santos, além de eventos privados.
A programação religiosa do Senhor do Bonfim continua após a lavagem. Três dias depois, em 18 de janeiro, ocorre o encerramento oficial dos festejos, com celebrações na Basílica do Bonfim.
Patrimônio cultural
Assim como a Lavagem do Bonfim, o 2 de fevereiro, dedicado a Iemanjá, é reconhecido como patrimônio cultural e expressão da identidade baiana, mas também permanece fora do calendário de feriados. Mesmo sem esse status, as duas datas impactam diretamente a rotina da cidade. O grande fluxo de pessoas costuma provocar alterações no trânsito, no transporte público e na circulação em áreas específicas, além de interferir no funcionamento do comércio e de serviços.
Em regiões como a Cidade Baixa e o Rio Vermelho, algumas empresas e órgãos públicos adotam ponto facultativo ou horários reduzidos durante as festas. A medida, no entanto, não é obrigatória e geralmente se restringe a esses bairros, enquanto o restante de Salvador mantém o funcionamento normal.