Museu do Recôncavo Wanderley Pinho recebe mais de 5 mil visitantes no primeiro mês após reabertura

Museu do Recôncavo Wanderley Pinho recebe mais de 5 mil visitantes no primeiro mês após reabertura

Redação Alô Alô Bahia

redacao@aloalobahia.com

Luana Veiga

Fernando Barbosa / IPAC

Publicado em 09/01/2026 às 10:17 / Leia em 4 minutos

Localizado no histórico Engenho Freguesia, em Caboto, no município de Candeias, o Museu do Recôncavo Wanderley Pinho recebeu mais de cinco mil visitantes nos primeiros 30 dias após a reabertura, em 8 de dezembro de 2025. Instalado em um dos mais relevantes conjuntos arquitetônicos do período colonial baiano, o equipamento funciona em um casarão do século XVIII tombado como patrimônio nacional. O acervo reúne mobiliário, indumentárias, obras de arte, documentos e objetos históricos que ajudam a compreender a formação do Recôncavo Baiano e sua importância para a história do Brasil.

Com a reabertura, o acervo passou a ser apresentado a partir de uma narrativa ampliada, que propõe uma leitura crítica do período colonial e das relações sociais que marcaram a região. A nova proposta valoriza as experiências dos povos originários e das populações negras, abordando temas como o trabalho escravizado e os impactos dessas dinâmicas na construção do Recôncavo.

Para a diretora do Museu, o balanço do primeiro mês confirma a relevância do espaço. “A resposta do público mostra que há interesse em revisitar esse patrimônio a partir de outras perspectivas. O museu volta a ser um lugar de reflexão, aprendizado e diálogo sobre a história do Recôncavo e do país”, afirma Daniela Steele, responsável pela nova expografia e coordenadora do espaço.

A maior parte dos visitantes veio da Bahia, especialmente de cidades como Salvador, Candeias, Camaçari, Lauro de Freitas e Simões Filho. O museu também recebeu público de outros estados brasileiros e de países como França, Estados Unidos, Portugal, Reino Unido e Canadá, ampliando seu alcance para além do território baiano. O renomado artista Vik Muniz foi um dos que visitaram o equipamento, acompanhado de familiares e amigos.

 

Núcleos expositivos

O Museu possui cinco núcleos expositivos, além da Capela de Nossa Senhora da Conceição da Freguesia, com exposição de arte sacra, e o andar térreo destinado a exposições temporárias de longa duração, a exemplo de Encruzilhada, que está em cartaz.

Núcleo Histórico: apresenta uma linha do tempo que revisita os principais marcos do Engenho Freguesia e a trajetória do próprio Museu. 

Núcleo dos Povos Originários: neste núcleo, o visitante encontra fotografias, vídeo documentário e uma intervenção artística em grafismo feita pelo artista indígena Thiago Tupinambá.

Núcleo dos Povos Escravizados: reúne manuscritos do poema “Os Escravos”, de Castro Alves, digitalizados do original preservado no Parque Histórico Castro Alves (PHCA), administrado pelo IPAC em Cabaceiras do Paraguaçu. Também há documentos históricos e totens para acesso à plataforma Slave Voyages, um banco de dados gratuito sobre o tráfico transatlântico de escravizados.

Núcleo Doméstico: apresenta mobiliário, retratos, pinturas, desenhos e uma cozinha de época, sem janelas e grandes fornos, retratando o espaço onde as mulheres escravizadas trabalhavam, preparavam a alimentação dos seus senhores e articulavam formas de resistência. Em vez de quartos e salas em estilo colonial, devidamente arrumados, a disposição do mobiliário evidencia a mão de obra de artesãos anônimos.

Núcleo da Memória: reúne objetos de suplício e tortura na Sala do Silêncio, convidando o público à reflexão, além da mostra colaborativa Fragmentos do Passado, montada com a participação dos atuais trabalhadores do museu, que restos de móveis, ferramentas e objetos encontrados durante as obras e expostos de modo que remete a uma sala de ex-votos.

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