A descoberta, em Portugal, de um passaporte que pertenceu a Eliza Samudio reacendeu dúvidas sobre a autenticidade do documento e alimentou especulações nas redes sociais, incluindo a hipótese, considerada remota pelas autoridades, de que a modelo pudesse estar viva e residindo na Europa desde 2010, ano em que foi dada como morta após investigações apontarem seu assassinato por ordem do ex-goleiro Bruno Fernandes.
De acordo com o consulado brasileiro em Portugal, o passaporte encontrado estava registrado como perdido e continha apenas o carimbo de entrada no país. Segundo a representação diplomática, Eliza teria deixado Portugal utilizando um documento emitido pelas autoridades locais. Ao retornar ao Brasil, ela solicitou uma segunda via do passaporte, já que tinha interesse em voltar à Europa.
O documento original foi emitido em 2006 por um posto da Polícia Federal em São Paulo, cidade onde Eliza morava e trabalhava como recepcionista de eventos esportivos. A primeira viagem internacional ocorreu em maio de 2007, quando ela entrou na Europa por Lisboa.
À época, Eliza afirmou ao jornal Extra que a viagem teve como objetivo conhecer o jogador Cristiano Ronaldo. Em entrevista concedida em 2009, poucos dias após revelar que estava grávida do então goleiro do Flamengo, ela disse ter vivido um breve affair com o atacante português. “Foram só uns beijinhos”, declarou, mencionando ainda que mantinha contato com o jogador por mensagens. Uma foto dos dois, feita em maio de 2007, poucos dias após sua chegada a Portugal, chegou a circular na imprensa.
Naquele período, Cristiano Ronaldo já atuava pelo Manchester United, que disputou uma partida contra o Sporting, em Portugal, pela UEFA. Segundo relatos, Eliza voltou a frequentar jogos em que o jogador estava presente em outras ocasiões entre 2008 e o início de 2009.
Na época, o nome de Eliza passou a ser citado em listas informais que reuniam mulheres apontadas como affairs do atleta, ao lado de outras brasileiras e de personalidades internacionais. A modelo, no entanto, rejeitava o rótulo de “Maria Chuteira”, embora nunca tenha negado relacionamentos com jogadores de futebol.
“Se a mulher vai atrás do jogador, até concordo. Mas se o cara é que vem atrás, fica te ligando porque sabe que você já saiu com vários, é complicado”, afirmou Eliza.
Eliza Samudio desapareceu naquele mesmo mês. As investigações conduzidas pela Polícia Civil concluíram que ela foi assassinada em Minas Gerais, em um crime que teve ampla repercussão nacional. O reaparecimento do passaporte, mais de uma década depois, levou a família a questionar as circunstâncias em que o documento foi preservado e como chegou a um apartamento em Portugal. As autoridades brasileiras aguardam esclarecimentos adicionais para apurar o caso.